É lançado no Brasil o primeiro guia de aves em língua indígena (Nicolle Januzzi) O material traz 91 espécies da avifauna que ocorrem nas Terras Indígenas do Povo A`uwe Uptabi, localizadas em 15 municípios do Estado de Mato Grosso. Além das fotos, cada ave está descrita com o nome em A`uwe Uptabi e o nome popular em português, além de informações sobre o tamanho. “Produzimos esse guia para ser distribuído nas escolas das aldeias, já que os livros de animais que normalmente estão nas salas de aula são em português. Muitos jovens estão perdendo o contato com a língua nativa, então essa é mais uma tentativa para valorizar a língua original indígena”, explica o professor doutor e biólogo D. Oliveira, que coordenou o projeto. No entanto, o material é apenas uma das etapas para alcançar um objetivo maior: proporcionar a sustentabilidade ao povo A`uwe Uptabi e ampliar o conhecimento da avifauna e da mastofauna (diversidade de mamíferos) para, assim, levar o ecoturismo e o etnoturismo para as aldeias indígenas. Disponível em: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2022/05/24/1o-guia-de-aves-em-lingua-indigena-e-lancado-no-brasil.ghtml. Acesso em 9 mar. 2023. (Adaptado). De acordo com o texto, o registro e a documentação dos saberes relativos à avifauna e à mastofauna têm o objetivo de
- A)auxiliar na classificação taxonômica e evolutiva das ordens e das famílias das aves para a construção de um guia de campo impresso, tanto compacto quanto espaçado.
Errada, porque o texto não trata de taxonomia nem de construção de guia de campo com foco em classificação científica das aves.
- B)planejar a oferta de um ecoturismo de contato com a natureza, no qual o turista pode sair da rotina de estresse do trabalho, descansar ou praticar diversões e recreações.
Errada, porque o texto menciona ecoturismo como parte de um objetivo maior, mas não define o turismo como descanso ou fuga da rotina, e sim como instrumento de sustentabilidade.
- C)tornar popular em língua portuguesa os nomes das aves existentes na região, descrevendo os aspectos físicos de cada ave fotografada.
Errada, porque o foco não é popularizar nomes em português, mas valorizar a língua indígena e os conhecimentos do povo A`uwe Uptabi.
- D)promover roteiros de etnoturismo pautado na venda dos rituais a turistas e visitantes nas regiões que trabalham com o folclore indígena.
Errada, porque o texto não fala em vender rituais nem em explorar folclore indígena, mas em valorizar cultura e promover sustentabilidade.
- E)contribuir no desenvolvimento de políticas de manutenção desses patrimônios e de acesso a eles, que são usados como estratégias de sustentabilidade.
Certa, porque o registro dos saberes sobre fauna é apresentado como estratégia para sustentar, preservar e ampliar o acesso a esses patrimônios em favor da sustentabilidade do povo indígena.
Gabarito: E
A questão cobra interpretação de texto, especialmente a capacidade de identificar a finalidade principal de uma ação descrita na notícia. Repare que o texto não fala apenas de um guia de aves: ele destaca a preservação da língua indígena, a valorização dos saberes tradicionais e um objetivo mais amplo de sustentabilidade para o povo A`uwe Uptabi. Quando o texto afirma que o material é “apenas uma das etapas” para um objetivo maior, ele está dizendo que o registro e a documentação da avifauna e da mastofauna não servem só para informar ou catalogar espécies. Eles funcionam como estratégia de fortalecimento cultural e de base para iniciativas econômicas e ambientais ligadas ao território indígena. Por isso, o gabarito é a alternativa E. Ela traduz exatamente essa ideia de que o conhecimento documentado ajuda a criar políticas de manutenção desses patrimônios e de acesso a eles, usados como instrumentos de sustentabilidade. Em outras palavras: não é um fim em si mesmo, mas um meio para preservar, valorizar e tornar viável o uso responsável desses bens culturais e naturais. Em provas da FGV, é comum a banca espalhar alternativas com palavras bonitas, mas que desviam do núcleo do texto. Aqui, o núcleo é a sustentabilidade associada à preservação de patrimônio cultural e ambiental, e não simplesmente a descrição de aves, turismo genérico ou classificação científica.