O célebre escritor Emerson escreveu certa vez: “Um autor aparece com mais vantagem nas páginas de outro livro, distinto do seu. No seu próprio, ele é apenas um candidato à espera da aprovação do leitor; no livro de outro autor ele tem a autoridade de quem legisla”. Deduz-se dessa afirmação que:
- A)os autores de livros devem procurar primeiramente a aprovação dos seus leitores por meio da comparação com outros;
Errada: o texto não fala de comparação entre livros nem de estratégia para conquistar leitores, mas do ganho de autoridade quando um autor é citado por outro.
- B)os escritores devem usar pseudônimos na indicação da autoria de suas obras a fim de evitarem a desaprovação pública dos leitores;
Errada: não há qualquer indicação de pseudônimo ou de medo de desaprovação pública; a ideia central é a valorização do autor pela citação.
- C)sendo citado por outro, um autor pode aparecer como fonte de autoridade;
Certa: ser citado por outro texto faz o autor aparecer como referência e, portanto, como fonte de autoridade.
- D)os livros que citam outros autores devem fazer isso de forma a não perderem seu valor intelectual;
Errada: a frase não discute o valor intelectual dos livros que citam, e sim o efeito de autoridade que a citação confere ao autor citado.
- E)os escritores não devem citar outros autores a fim de não perderem sua própria autoridade.
Errada: o texto não condena citações; ao contrário, mostra que citar outro autor pode fortalecer, e não enfraquecer, a autoridade.
Gabarito: C
A frase de Emerson brinca com uma ideia bem comum na interpretação de texto: um autor, quando fala do próprio livro, ainda está “pedindo passagem” ao leitor, como quem espera ser aceito. Já quando é citado por outro autor, ele ganha um peso diferente, porque sua fala entra em um novo contexto e passa a funcionar como argumento, referência e respaldo. É por isso que a banca quer que você perceba a mudança de status da citação. O escritor, ao ser chamado por outro texto, deixa de aparecer só como alguém que defende sua própria obra e passa a ser apresentado como alguém cuja opinião serve de apoio à tese alheia. Em outras palavras, a citação projeta autoridade. Esse tipo de leitura é muito usado pela FGV: ela pega uma frase com sentido figurado e cobra a dedução lógica, não uma repetição literal. Aqui, a palavra-chave é “autoridade de quem legisla”, isto é, a imagem de alguém que fala com força normativa, como fonte válida e respeitável. Por isso o gabarito é a letra C. A afirmação deduz exatamente que, ao ser citado por outro, o autor pode aparecer como fonte de autoridade. Não é sobre pseudônimo, nem sobre censura aos livros, nem sobre comparação de obras; é sobre o efeito de legitimidade que a citação produz.