Muitas pessoas acreditam que as histórias são contadas para colocar as pessoas para dormir. Eu conto as minhas para acordá-las. Nesse pensamento há uma referência ao seguinte modo de organização discursiva:
- A)descrição.
Errada, porque não há foco em traços, detalhes sensoriais ou caracterização de elementos, que são marcas da descrição.
- B)narração.
Certa, pois há uma ação enunciada por um sujeito em primeira pessoa, com organização típica de relato ou encenação narrativa.
- C)dissertação argumentativa.
Errada, porque o trecho não desenvolve tese com argumentos encadeados para convencer o leitor.
- D)dissertação expositiva.
Errada, porque não se trata de explicação objetiva de um assunto, mas de uma fala com intenção e efeito expressivo.
- E)dissertação injuntiva.
Errada, porque não há ordem, instrução ou orientação para que o leitor faça algo.
Gabarito: B
A questão gira em torno dos modos de organização discursiva. Em prova, isso costuma aparecer como uma espécie de radar: você lê o texto e identifica se ele está descrevendo, narrando, explicando, argumentando ou mandando fazer algo. Aqui, a frase traz uma ideia geral sobre o papel das histórias e, em seguida, um posicionamento pessoal do enunciador: ele contrapõe a visão comum ao que faz com as próprias histórias. O ponto central é que há um relato de intenção, com foco na ação de contar histórias e no efeito pretendido por quem fala. Isso é típico de narração, porque o discurso se organiza em torno de uma ação ligada a um sujeito que pratica algo e produz um efeito. Não é uma lista de características, nem uma explicação neutra, nem uma ordem para o leitor. A chave está no verbo de enunciação: “Eu conto as minhas...”. O texto apresenta uma experiência/ação de um eu que se coloca no discurso, algo muito compatível com narrativa, ainda que seja curtíssima e com tom aforístico. Em FGV, é comum o trecho misturar reflexão e ação verbal, mas você deve observar qual modo domina o recorte dado. Por isso, o gabarito é B. O enunciado não está apenas informando ou defendendo uma tese de modo organizado como em dissertação; ele constrói uma pequena cena discursiva com sujeito, ação e finalidade expressiva. Em outras palavras: não é só o que se diz, mas como se encena o dizer.