Um dos problemas encontrados nos textos de redações é o emprego inadequado de expressões da oralidade. Assinale a frase que mostra a inclusão indevida de uma dessas expressões.
- A)Em suma, parafraseando uma sentença de Ortega, muito pior do que as normas rigorosas é a ausência de normas, que é a barbárie.
Certa: a frase está formal e bem construída, sem marcas de oralidade indevidas.
- B)Olhou em torno e não tinha ninguém. Certificou-se ainda de que ninguém o perseguia, mas positivamente não havia pessoa alguma.
Errada: traz "positivamente" com tom enfático e coloquial, introduzindo uma expressão de oralidade inadequada ao registro escrito.
- C)O chefe do grupo aproximou-se da entrada da caverna, encostou-se a uma parede de rocha da entrada e observou com atenção o interior da gruta, mas nada viu de perigoso.
Certa: o vocabulário é compatível com a escrita formal e não há expressão oralizada fora de lugar.
- D)Como a Língua Portuguesa é caprichosa, muitos antropônimos e topônimos deslizaram para substantivos comuns.
Certa: a frase usa linguagem padrão e adequada, sem coloquialismos indevidos.
- E)Vou desafiar a paciência de meus leitores e escrever ainda um artigo sobre esse assunto ao qual já voltei muitas vezes.
Certa: a construção é formal e coerente com um texto de registro culto.
Gabarito: B
A questão cobra um cuidado clássico da redação: evitar marcas de oralidade quando o texto pede registro mais formal. Em textos dissertativos, a ideia é manter a frase limpa, objetiva e sem expressões que soem como conversa cotidiana, porque isso quebra a impessoalidade e a precisão do enunciado. A palavra ou expressão de oralidade costuma aparecer como reforço desnecessário, como se o autor estivesse “falando” com o leitor em vez de escrever com mais controle. Em prova, a banca gosta de testar esse detalhe fino: não basta a frase estar gramaticalmente correta, ela também precisa estar adequada ao padrão escrito. O gabarito é a letra B porque a palavra “positivamente” entra ali com valor enfático e coloquial, quase como um “de verdade”, “realmente”, sem necessidade no contexto. A frase ficaria mais natural no padrão formal sem esse reforço oral. Em redação, esse tipo de inclusão enfraquece a sobriedade do texto. As demais alternativas mantêm vocabulário e construção compatíveis com a norma culta e com o tom escrito. Então o segredo aqui é perceber não o erro de gramática, mas o deslize de estilo: a frase pode estar correta, mas ainda assim soar inadequada para o gênero.