A frase a seguir mostra uma opinião e um argumento que a sustenta. “Não gosto dos livros desse autor. Ele tem um posicionamento político muito radical.” Assinale a opção que apresenta o problema desse argumento.
- A)Há uma confusão entre a ideia e o autor, negando-se a ideia por seu autor.
Correta: aponta a confusão entre a obra/ideia e o autor, rejeitando-se o conteúdo por causa de quem o produziu.
- B)Trata-se de uma generalização apressada, sem provas suficientes.
Incorreta: não há generalização apressada, mas sim um ataque à pessoa do autor como forma de rejeitar sua obra.
- C)Refere-se a fatos conhecidos, que são considerados válidos, independentemente de provas.
Incorreta: a frase não apela para um fato consagrado independentemente de prova; ela faz uma avaliação subjetiva do autor.
- D)Apoia-se em um testemunho de autoridade do próprio enunciador.
Incorreta: não há testemunho de autoridade do próprio enunciador, e sim a tentativa de desqualificar os livros pelo perfil do autor.
Gabarito: A
A questão cobra um erro clássico de argumentação: atacar a pessoa para desqualificar a ideia. Em vez de discutir se os livros são bons, coerentes ou bem escritos, o enunciado rejeita a obra porque o autor tem um posicionamento político considerado radical. Isso é um desvio do debate, porque a qualidade de uma ideia ou de uma obra não se prova pela simpatia ou antipatia por quem a produziu. Na prática, esse raciocínio mistura autor e conteúdo. É como dizer: "não vou ouvir o argumento porque não gosto de quem falou". O problema é que a conclusão não decorre da obra, mas de um juízo sobre a pessoa. Em lógica informal, isso se aproxima da falácia ad hominem, isto é, ataque ao emissor em vez de análise do argumento. Por isso, o gabarito é a alternativa A. Ela descreve exatamente essa confusão entre ideia e autor, negando-se a ideia por causa de quem a defende. A crítica correta, se houvesse, deveria mirar o texto, os argumentos ou as evidências apresentadas, e não o perfil político do escritor. Em provas da FGV, fique atento: a banca gosta de cobrar quando o argumento parece convincente à primeira vista, mas na verdade troca o objeto da discussão. Se o foco sai da tese e vai para a pessoa, acende o alerta vermelho da falácia.