Assinale a opção em que a preposição de traz uma contribuição semântica para a frase, não sendo uma exigência de um termo anterior (valor gramatical).
- A)Amigo é aquele que sabe tudo a seu respeito e, mesmo assim, ainda gosta de você.
Errada: em "saber de" a preposição é exigida pela regência do verbo, portanto tem valor gramatical.
- B)Nunca chegarás a convencer um rato de que um gato traz boa sorte.
Errada: em "convencer de" a preposição decorre da regência do verbo, sem contribuição semântica autônoma.
- C)Perdoe seus inimigos, mas não se esqueça de seus nomes.
Errada: em "esquecer-se de" a preposição é exigida pelo verbo pronominal, funcionando como regência.
- D)Um bebê nasce com a necessidade de ser amado.
Errada: a construção "necessidade de" traz a preposição por regência nominal, e não por valor semântico independente.
- E)Sempre há um pouco de loucura no amor.
Certa: a preposição associada à ideia de "um pouco de" acrescenta noção partitiva/quantitativa, com valor semântico.
Gabarito: E
A preposição "de" pode aparecer por exigência de regência, quando um termo pede complemento, ou pode carregar sentido próprio, como posse, origem, matéria, assunto, causa, parte de um todo e por aí vai. Em concurso, a banca adora separar o "de" que é só obrigação gramatical do "de" que realmente ajuda a construir sentido. Parece detalhe, mas é exatamente aí que a questão tenta pegar você pelo tornozelo. Nas alternativas, a maioria traz o "de" preso a termos que exigem complemento: "saber de", "convencer de", "esquecer-se de". Nesses casos, a preposição não está ali fazendo poesia; ela cumpre regência. Já quando a preposição acrescenta uma relação semântica mais clara, ela deixa de ser apenas peça obrigatória e passa a contribuir para o conteúdo da frase. O gabarito é a letra E porque, na construção apresentada, a expressão ligada à ideia de "um pouco de loucura" traz valor partitivo, de quantidade, e não simples exigência de regência verbal ou nominal. É o tipo de uso em que o "de" ajuda a delimitar a noção expressa, com sentido próprio, e não apenas por imposição sintática. Em resumo: se o "de" foi pedido pelo verbo ou nome, é valor gramatical; se ele acrescenta uma relação de sentido mais nítida, como parte, origem, posse ou matéria, ele ganha valor semântico. A FGV gosta muito dessa fronteira, então vale ler a frase com calma e perguntar: "isso foi exigência ou significado?".