Leia esse pequeno texto do nosso humorista e escritor Millôr Fernandes: “O erudito é um mal social dos mais lamentáveis e só um idiota como ele se confundiria com cultura. Já está sendo substituído, nos países desenvolvidos, por centrais cibernéticas de dados. Você necessita uma informação, liga um botão, recebe a informação em dez segundos. Isso libera o cérebro para sua única função digna – pensar –, não se necessitando sobrecarregá-lo com uma cloaca de erudição”. O conceito de pessoa erudita para esse autor é a de pessoa
- A)capaz de resolver todos os problemas de informação de forma rápida e eficiente.
Errada, porque o texto não fala de alguém que resolve problemas de informação, mas de alguém que acumula dados sem necessidade.
- B)concentradora de informações sem utilidade ou que podem ser obtidas tecnologicamente.
Certa, porque resume a crítica do autor ao erudito que guarda informações dispensáveis ou substituíveis pela tecnologia.
- C)culta, mas cuja cultura só atende a necessidades práticas, sem alcançar campos mais profundos.
Errada, porque o texto não apresenta a pessoa como culta e prática, mas como alguém preso a informação sem valor reflexivo.
- D)competente em determinados campos de atuação, sobretudo os da área tecnológica.
Errada, porque não há referência a competência tecnológica ou atuação em áreas específicas, e sim a uma crítica ao acúmulo de dados.
- E)orgulhosa de seus conhecimentos superficiais, que não aprendeu a pensar de forma produtiva.
Errada, porque o foco não é superficialidade de conhecimentos, mas o apego à erudição que não se converte em pensamento.
Gabarito: B
O texto de Millôr Fernandes usa ironia para criticar uma ideia de erudição que não serve para pensar, apenas para acumular dados. Quando ele diz que o erudito é um "mal social" e fala em "cloaca de erudição", está zombando da pessoa que junta informação como quem faz estoque, sem transformar isso em reflexão útil. Perceba o contraste central do trecho: a tecnologia já pode fornecer dados rapidamente, então não faz sentido valorizar alguém só porque memoriza muita coisa. Para o autor, a função realmente nobre do cérebro é pensar, e não ficar sobrecarregado com informação inútil ou apenas decorada. Por isso, a alternativa B está correta: ela traduz a ideia de uma pessoa que concentra informações sem utilidade prática ou que poderiam ser obtidas por meios tecnológicos. É exatamente a crítica do texto ao erudito que se prende ao acúmulo de dados, mas não acrescenta inteligência, reflexão ou criatividade. Em linguagem de prova, o ponto-chave é entender o sentido do texto como um todo, e não uma palavra isolada. A FGV costuma explorar bem essa diferença entre erudição como acúmulo e conhecimento como capacidade de pensar.