O filósofo Kant escreveu certa vez: “Não devemos ler escritos sobre a matéria acerca da qual estamos refletindo, do contrário atamos o gênio”. Essa frase nos diz que
- A)se lermos sobre os assuntos de que estamos tratando, perdemos nossas ideias originais.
Correta, pois traduz a ideia de que ler sobre o tema enquanto você pensa nele pode reduzir a originalidade das suas ideias.
- B)não devemos ler textos desaconselháveis sobre os temas que estamos estudando, pois ficamos vítimas dos erros alheios.
Errada, porque a frase não fala de textos desaconselháveis nem de erros alheios, mas do efeito da leitura sobre a criatividade.
- C)caso nos informemos sobre o que estamos estudando, passamos a dar informações alheias, provocando o plágio.
Errada, pois não há menção a plágio ou a reproduzir informações alheias, e sim à perda de espontaneidade no pensamento.
- D)perdemos nosso tempo em informamo-nos sobre os temas de nossa atenção, pois somos os mais bem informados sobre eles.
Errada, porque Kant não diz que informar-se é perda de tempo nem que você já sabe mais que os outros.
- E)devemos abandonar leituras de outros autores, que abordem os mesmos temas que nós, pois podemos adotar erros alheios.
Errada, pois a frase não manda abandonar leituras de outros autores de forma absoluta; ela aponta um risco específico à reflexão em andamento.
Gabarito: A
A frase de Kant trabalha com uma ideia bem conhecida: leitura, reflexão e originalidade nem sempre caminham juntas quando você consome muita coisa sobre o mesmo tema enquanto ainda está pensando por conta própria. Ao dizer que, se lemos escritos sobre a matéria sobre a qual estamos refletindo, “atamos o gênio”, Kant sugere que a mente pode ficar presa, isto é, menos livre para criar ideias próprias. Em português, a questão exige interpretação de sentido global, não uma cópia literal das palavras do filósofo. O núcleo da frase é: ler sobre o assunto que você está estudando ou refletindo pode atrapalhar a produção original, porque você passa a ser influenciado pelas ideias já prontas de outros autores. Por isso, a alternativa A está correta: se você lê sobre os assuntos de que está tratando, pode perder a espontaneidade e as ideias originais. É exatamente essa a noção de “atar o gênio”, isto é, prender a criatividade. Não há aqui uma crítica a textos ruins, desaconselháveis ou a erro alheio em geral, mas sim ao risco de a leitura excessiva ou precoce interferir na reflexão autônoma. Esse tipo de questão é muito comum na FGV: ela troca uma paráfrase fiel por alternativas que parecem plausíveis, mas escorregam no tom ou no sentido. Então, quando aparecer uma citação filosófica ou literária, leia o sentido central e desconfiar das opções que mudam o foco da frase costuma salvar a prova.