Entre as opções a seguir, assinale aquela em que o aumentativo sublinhado perdeu o valor de aumentativo, designando uma outra realidade.
- A)O entregador tocou a campainha e esperou no portão.
Certa: "portão" é um aumentativo lexicalizado de "porta" e já nomeia uma realidade própria, sem sentido de aumento.
- B)O fazendeiro tinha um cachorrão para vigiar a plantação.
Errada: "cachorrão" ainda preserva o valor de aumentativo, indicando um cachorro grande ou robusto.
- C)O panelão da feijoada já estava sobre o fogão.
Errada: "panelão" mantém o sentido de objeto grande, sem perder o valor aumentativo.
- D)O apartamento tinha um varandão na frente.
Errada: "varandão" é usado com valor de aumentativo, referindo-se a uma varanda grande.
- E)Na parte de trás, havia um terrenão para o plantio de frutas.
Errada: "terrenão" continua funcionando como aumentativo de tamanho, indicando um terreno grande.
Gabarito: A
Em Morfologia, o aumentativo nem sempre serve para indicar apenas “algo grande”. Às vezes, ele se desgasta pelo uso e vira uma palavra nova, com sentido próprio. Nesse caso, dizemos que houve perda do valor aumentativo: a forma já não é sentida como um “aumentativo de” outra palavra, mas como um substantivo comum do vocabulário. Isso acontece muito com palavras do dia a dia. O sufixo continua lá, mas a língua já tratou a forma como outra realidade. É aquele caso em que você olha e pensa: “isso até pode ter vindo de uma ideia de aumento, mas hoje a palavra já tem vida própria”. Na questão, a alternativa A traz “portão”, que não funciona como simples aumentativo de “porta” no uso atual. O termo nomeia um objeto específico da casa, sem valor expressivo de tamanho. Por isso, o gabarito é A. Nas demais alternativas, os aumentativos mantêm o valor de grandeza ou intensidade: cachorrão, panelão, varandão e terrenão indicam, em regra, um cachorro grande, uma panela grande, uma varanda grande e um terreno grande. Aqui não há esse “descolamento” semântico que derruba o sentido de aumentativo.