Os textos argumentativos podem apoiar-se em tipos diferentes de argumentos. Assinale a opção em que o argumento empregado pelo enunciador é apoiado na intimidação do receptor.
- A)Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje.
Errada: é um conselho moral/prático, sem ameaça ou intimidação do receptor.
- B)Ganhe muito e gaste menos.
Errada: a frase promete ganho e economia, usando apelo à vantagem, não ao medo.
- C)Trabalhe pouco e ganhe muito.
Errada: há uma promessa exagerada de benefício, mas não existe intimidação.
- D)Conserte seu carro em mecânicos competentes, é mais caro, mas é mais seguro.
Errada: o enunciado usa argumento de prudência e segurança, justificando a escolha por um risco maior, sem ameaçar o receptor.
- E)Alimente-se de forma saudável e você chegará atrasado à outra vida.
Certa: a frase intimida o receptor ao sugerir uma consequência desagradável, usando o medo como estratégia de persuasão.
Gabarito: E
Em textos argumentativos, o enunciador pode tentar convencer por caminhos bem diferentes: com lógica, com autoridade, com exemplos, com promessa de લાભ, ou até mexendo com o medo do receptor. Quando o argumento apela para a intimidação, ele não convence pela razão, mas pela pressão psicológica: a ideia é assustar, ameaçar ou sugerir uma consequência desagradável para levar você a aceitar a mensagem. Na questão, a alternativa correta é a que usa esse tipo de apelo ao medo. Repare que a mensagem não apresenta uma prova, nem um raciocínio técnico; ela cria um efeito de pressão ao associar um comportamento a uma punição simbólica, como se dissesse: se você não seguir a orientação, vai acabar muito mal. Isso é um típico argumento de intimidação. As outras alternativas têm outra natureza: algumas são conselhos práticos, outras fazem promessas de vantagem, e outras apenas sugerem economia ou segurança. Nenhuma delas, com a mesma força, tenta convencer pelo medo ou pela ameaça. Em termos de teoria da argumentação, esse recurso se aproxima do chamado argumento ad baculum, isto é, a persuasão pela ameaça ou intimidação. Em prova de interpretação, fique atento ao efeito produzido pelo enunciado, porque a banca costuma trocar um conselho inocente por uma frase que parece divertida, mas esconde uma pressão psicológica.