Entre as funções de linguagem há uma, que se denomina conativa, marcada pelo interesse maior voltado para o receptor da mensagem. Assinale a frase que exemplifica esse tipo de função.
- A)Aquilo que se cala ainda pode ser dito; mas aquilo que foi dito já não pode ser calado.
Errada, porque apresenta uma reflexão de sentido geral, sem apelo direto ao receptor nem orientação de comportamento.
- B)Ações falam mais alto que as palavras.
Errada, pois é um provérbio com valor sentencioso, mas sem marca de convencimento ou convocação do leitor.
- C)Os olhos gritam o que os lábios temem dizer.
Errada, porque traz uma imagem poética sobre comunicação, com foco na expressão, não na tentativa de influenciar o receptor.
- D)Fale de acordo com o que pensa e aja de acordo com o que fala.
Certa, pois usa verbos de orientação e conselho, dirigindo-se ao receptor para induzir uma forma de falar e agir.
- E)Comunicação é a arte de ser entendido.
Errada, já que define a comunicação de modo abstrato, com função informativa/poética, e não conativa.
Gabarito: D
A função conativa, também chamada de apelativa, aparece quando a mensagem quer influenciar o receptor: convencer, orientar, ordenar, aconselhar ou chamar a atenção de quem lê. Por isso, ela costuma aparecer em frases no imperativo, em pedidos, conselhos e convites, como se o texto dissesse: "olhe para mim e faça algo". É a função típica de propagandas, discursos persuasivos e mensagens diretas ao interlocutor. Na questão, o foco está justamente em uma frase que orienta o comportamento do destinatário: "Fale de acordo com o que pensa e aja de acordo com o que fala." Há um conselho claro, dirigido a você, com verbos no imperativo, o que marca a intenção de convencer e orientar. É o tipo de frase que não quer apenas informar ou emocionar, mas conduzir a ação do leitor. As outras alternativas soam mais como reflexões, ditados ou enunciados gerais, sem essa marca forte de apelo ao receptor. Em prova da FGV, vale desconfiar das frases bonitas que parecem profundas, mas não mandam, não aconselham e não chamam o leitor para agir. Aqui, o truque é simples: se a frase "puxa" você para uma atitude, a chance de ser conativa é grande.