Toda a materialidade da produção de conhecimento e da educação dos Karajá vem da natureza e do respeito pelas riquezas que ela oferece. “Devíamos admitir a natureza como uma imensa multidão de formas, incluindo cada pedaço de nós, que somos parte de tudo” (Krenak). Quem pensa assim não desmata, não polui rios, não desrespeita os animais, as aves, as árvores, as serras etc. A partir desta percepção, a natureza é vista não de modo fragmentado, distanciado, mas numa teia de “conexões ocultas entre os fenômenos”. PIMENTEL DA SILVA, M. S. Fundamentos e práticas de alfabetização de crianças pelos conhecimentos indígenas. 1ª ed. Campinas, SP: Pontes Editores, 2021. (Adaptado). Segundo o texto, o povo Karajá
- A)entende humanidade e meio ambiente como partes de um todo e não como coisas separadas ou superiores uma à outra.
Certa, porque expressa a ideia de integração entre humanidade e natureza como partes de um mesmo todo.
- B)compreende o dualismo entre mente e matéria, distinguindo a natureza a partir de uma divisão entre esses dois reinos.
Errada, porque o texto não defende dualismo entre mente e matéria, mas sim conexão entre todos os elementos da natureza.
- C)comercializa formas do seu sistema cultural para satisfazer necessidades materiais dos grupos etários da aldeia.
Errada, porque não há qualquer menção à comercialização de práticas culturais ou a necessidades materiais da aldeia.
- D)visa à superação do estado de natureza, desvendando as tramas das conexões ocultas nas riquezas da terra.
Errada, porque o texto não fala em superar o estado de natureza, e sim em respeitar e preservar as relações existentes.
- E)sabe quando as relações ocultas estabelecidas entre os seres vivos e o ambiente causam ganhos ou danos aos rios.
Errada, porque a passagem não trata de ganhos ou danos causados pelas relações entre seres vivos, mas de uma visão integrada da natureza.
Gabarito: A
A questão cobra interpretação de texto com foco na ideia central: o olhar indígena, aqui associado aos Karajá, enxerga a natureza como parte da própria existência humana. O texto deixa isso bem claro quando diz que tudo vem da natureza e que devemos admirá-la como uma “imensa multidão de formas”, da qual fazemos parte. Ou seja, não há separação rígida entre ser humano e ambiente, nem uma postura de superioridade do homem sobre a natureza. Perceba a consequência prática desse modo de pensar: quem adota essa visão não desmata, não polui rios e não desrespeita animais, aves, árvores e serras. Isso mostra uma relação de pertencimento, cuidado e interdependência. Em prova da FGV, é comum a banca trocar essa ideia por noções mais abstratas ou contrárias, como dualismo, fragmentação ou domínio da natureza. Por isso, a alternativa A está correta: ela resume exatamente a leitura do texto ao dizer que humanidade e meio ambiente são partes de um todo, e não realidades separadas ou hierarquizadas. É uma interpretação alinhada ao trecho de Ailton Krenak citado no enunciado, muito conhecido por defender a integração entre ser humano e natureza. As demais opções fogem do texto, porque inventam dualismo, comércio cultural ou leituras utilitaristas que não aparecem no trecho. Aqui, a chave é simples: se o texto fala em conexão, interdependência e respeito, desconfie de respostas que tragam separação, exploração ou superioridade humana.