Um famoso bispo brasileiro, Dom Hélder Câmara, alertava: “De nada adiantará venerarmos belas imagens de Cristo se não identificarmos o Cristo na criatura humana a ser arrancada do subdesenvolvimento. No Nordeste, Cristo se chama Zé, Antônio, Severino”. Dom Hélder Câmara estava defendendo
- A)a substituição de uma religiosidade passiva por uma religiosidade ativa.
Correta, porque traduz a crítica a uma fé só de aparência e defende uma prática religiosa comprometida com a realidade humana.
- B)a necessidade de os praticantes da religião católica se dedicarem mais à política.
Errada, porque o foco do enunciado não é fazer os católicos se envolverem mais na política, mas viver a fé de forma concreta.
- C)a troca da ação política pela ação religiosa.
Errada, pois o texto não troca a ação política pela religiosa; ele valoriza uma religiosidade atuante, não uma substituição desse tipo.
- D)o abandono da religião por uma atividade voltada essencialmente para as necessidades humanas.
Errada, porque Dom Hélder não propõe abandonar a religião, e sim torná-la sensível às necessidades humanas.
- E)a mudança de foco da atividade religiosa, dirigindo-o principalmente para o valor de Cristo.
Errada, porque Cristo aparece como referência para reconhecer o próximo, e não como simples mudança de foco para um valor abstrato.
Gabarito: A
A fala de Dom Hélder Câmara critica uma religiosidade que fica só na aparência, na devoção externa, mas não se converte em atitude concreta diante da dor humana. Quando ele diz que Cristo no Nordeste se chama Zé, Antônio, Severino, ele está mostrando que a fé não pode ignorar o pobre, o excluído e o oprimido. Em outras palavras, não basta venerar imagens: é preciso enxergar Cristo no próximo e agir em favor dele. É por isso que o gabarito é a letra A. A ideia central é substituir uma religiosidade passiva, apenas contemplativa ou formal, por uma religiosidade ativa, comprometida com a realidade social e com a dignidade das pessoas. A mensagem tem forte tom de engajamento cristão, muito comum na Doutrina Social da Igreja, que valoriza a opção pelos pobres e a prática da caridade concreta. Perceba que o bispo não está mandando abandonar a religião, nem trocar fé por política. O ponto é outro: a fé verdadeira precisa sair do discurso e virar ação. Em questão de interpretação, a FGV costuma testar exatamente isso: você identifica o sentido global do texto e não cai em leituras radicais demais, como se ele estivesse propondo romper com a religião.