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Português · FGV · 2023

Questão comentada de Português

Leia as duas primeiras estrofes de um poema de Olavo Bilac, intitulado Língua Portuguesa: Última flor do Lácio, inculta e bela, És, a um tempo, esplendor e sepultura. Ouro nativo, que na ganga impura A bruta mina entre os cascalhos vela... Amo-te assim, desconhecida e obscura, Tuba de alto clangor, lira singela, Que tens o trom e o silvo da procela, E o arrolo da saudade e da ternura! Como o título do poema indica, o tema dos versos acima é a Língua Portuguesa. Interpretando-se o que nele está expresso, assinale a afirmativa inadequada.

Gabarito: E

Olavo Bilac trata a Língua Portuguesa como algo precioso, nobre e cheio de musicalidade. Perceba como ele mistura imagens de beleza, riqueza e também de força sonora: “esplendor e sepultura”, “tuba de alto clangor”, “lira singela”. O poema celebra a língua com um vocabulário refinado, bem ao gosto parnasiano, e isso já ajuda voce a enxergar o tom elogioso dos versos. No primeiro verso, “Última flor do Lácio” aponta diretamente para a origem latina do português, porque o Lácio era a região de Roma. Depois, “inculta e bela” junta duas ideias que parecem opostas, mas funcionam como contraste poético: a língua é vista como bela, embora tenha nascido de uma matriz popular e histórica. A alternativa E é a inadequada porque o verso “Que tens o trom e o silvo da procela” não repete a ideia de “lira singela”, e sim amplia o contraste já usado pelo poeta. “Lira singela” sugere delicadeza, suavidade, musicalidade simples; já “trom”, “silvo” e “procela” evocam som forte, ruído e tempestade. O efeito é de oposição complementar, não de repetição de sentido. Ou seja: Bilac enaltece a língua portuguesa mostrando que ela pode ser doce e áspera, simples e grandiosa ao mesmo tempo. A banca gosta exatamente disso: pedir que voce perceba o sentido global do poema, e não apenas uma palavra solta.

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