Assinale a opção que indica a frase com uma incorreção gramatical.
- A)Se achares três reais, leva-os à polícia; se achares três mil, leva-os a um banco.
Está correta: os pronomes “os” retomam “três reais” e “três mil”, com emprego adequado da colocação e da regência.
- B)Não vale a pena comprar aqueles que se vendem.
Está correta: a construção “não vale a pena comprar aqueles que se vendem” está gramaticalmente adequada e semanticamente coerente.
- C)Quando alguém é ameaçado por uma grande injustiça, aceita-se uma menor como favor.
Está correta: a frase usa corretamente a estrutura impessoal com “aceita-se”, sem erro de concordância.
- D)Não podes mudar o passado, mas podes arruinar o presente, preocupando-se com o futuro.
Está errada: há quebra de concordância pronominal em “preocupando-se”, pois, com sujeito oculto de 2a pessoa, o esperado seria “preocupando-te”.
- E)Ética nada mais é que reverência pela vida.
Está correta: a frase apresenta construção legítima com “nada mais é que”, sem incorreção gramatical.
Gabarito: D
A questão cobra concordância verbal e, principalmente, o uso correto das formas nominais, como o gerúndio. Em frase bem construída, a ideia de que uma ação acompanha outra pede cuidado para não deixar um verbo “solto” no meio da oração. Em prova, a banca adora esse tipo de tropeço porque ele parece pequeno, mas derruba a frase inteira. No item D, o problema está em “preocupando-se”. O sujeito de “podes” é “voce” (implícito, pela desinência verbal), então o pronome oblíquo correto deveria acompanhar esse sujeito: “preocupando-te”. Ou seja, a frase correta seria: “Não podes mudar o passado, mas podes arruinar o presente, preocupando-te com o futuro.” Esse tipo de ajuste é básico na norma culta: o pronome oblíquo átono precisa concordar com a pessoa do verbo a que se refere. Aqui, houve mistura de pessoas gramaticais, algo que fere a correção formal. Em linguagem de concurso, é o clássico caso de forma elegante por fora, mas torta por dentro. As demais alternativas estão de acordo com a norma-padrão. FGV costuma explorar exatamente essas sutilezas de regência, colocação pronominal e concordância, então vale ler a frase com atenção cirúrgica, como quem procura uma peça fora do lugar.