Observe o texto narrativo a seguir. “São duas e meia da manhã. Cada vez que eu tento levantar-me, minha cabeça parece girar e tenho que apoiar-me na parede para não cair. Não sei exatamente o que está acontecendo, se este desconforto é fruto de bebida ou de remédios exagerados. Tento deitar de novo e procuro ficar imóvel para ver se o incômodo vai embora. Vamos ver...” A afirmativa adequada a esse fragmento de narração é:
- A)como na maioria dos textos narrativos, este também se utiliza prioritariamente do pretérito perfeito do indicativo;
Errada, porque o trecho não privilegia o pretérito perfeito; predominam formas no presente, marcando simultaneidade.
- B)o texto exemplifica uma narrativa simultânea, em que o narrador relata os fatos no momento em que ocorrem;
Certa, pois a narração acompanha os fatos no exato momento em que acontecem, com sensação de imediatismo.
- C)a narrativa mostra um momento íntimo, procurando inquietar o leitor sobre o estado psíquico do personagem;
Errada, porque o foco não é só o estado psíquico do personagem, e sim a simultaneidade narrativa expressa no texto.
- D)o texto narrativo acima é direto, sem qualquer interrupção dos fatos narrados;
Errada, porque há interrupção e acompanhamento do fluxo interno do narrador, não uma narração linear e direta de fatos encerrados.
- E)o texto mostra, como num diário, as impressões e observações do narrador sobre pequenos e grandes acontecimentos de sua vida diária.
Errada, porque o trecho não se organiza como diário nem como simples registro de acontecimentos cotidianos; o ponto decisivo é a narração simultânea.
Gabarito: B
O ponto central aqui é perceber o tempo da narração. Quando o narrador diz "São duas e meia da manhã" e, em seguida, relata o que está sentindo e pensando naquele exato instante, ele cria a impressão de que a cena está acontecendo ao mesmo tempo em que é narrada. Isso é o que se chama narrativa simultânea ou concomitante. Repare que o texto não fica distante, como quem conta um fato já encerrado. Pelo contrário: há um efeito de presença, quase de câmera ao vivo, com o narrador acompanhando a própria experiência imediata. Esse tipo de construção é comum quando o texto quer aproximar o leitor da mente do personagem, especialmente em situações de confusão, mal-estar ou hesitação. Por isso, a alternativa B está correta: o narrador relata os fatos no momento em que ocorrem. O uso de formas verbais no presente, como "tento", "parece", "tenho", "procuro", reforça essa simultaneidade e deixa a narrativa mais viva e imediata. As demais alternativas erram porque tentam encaixar o trecho em modelos mais tradicionais ou genéricos de narrativa. Aqui, o efeito principal não é de memória distante nem de relato objetivo, mas de vivência instantânea, com um narrador mergulhado no próprio instante narrado.