Numa de suas famosas crônicas, Machado de Assis faz o seguinte comentário: “Há um bom costume na Índia que eu quisera ver adotado no resto do mundo, ou pelo menos aqui no Rio de Janeiro. A visita não é que se despede; é o dono da casa que a manda embora”. Como ocorre em todo ato comunicativo, a linguagem nele empregada mostra uma função predominante; neste caso, a função predominante da linguagem é
- A)metalinguística, pois concentra o foco no significante linguístico.
Errada, porque a passagem não discute a linguagem nem o próprio código linguístico, então não há função metalinguística predominante.
- B)fática, pois focaliza o contato social entre os interlocutores.
Errada, porque o foco não está no contato entre interlocutores nem na manutenção da comunicação, mas na opinião pessoal do autor.
- C)referencial, pois reproduz dados da realidade.
Errada, porque, embora haja referência a um costume, o trecho não se limita a informar dados da realidade de modo objetivo.
- D)conativa, pois seu interesse está no convencimento do leitor.
Errada, porque não há tentativa principal de persuadir o leitor a agir ou aderir a uma tese, e sim a exposição de uma visão pessoal.
- E)emotiva, pois se dirige às emoções do emissor.
Certa, porque o enunciado revela a opinião e o desejo do emissor, com forte marca de subjetividade e expressão pessoal.
Gabarito: E
As funções da linguagem aparecem conforme o foco da mensagem: no assunto, no receptor, no canal, no código, no emissor ou na expressão de sentimentos. Aqui, Machado não está explicando a língua, nem só mantendo o contato, nem tentando convencer alguém diretamente. Ele fala em primeira pessoa e deixa clara uma opinião pessoal sobre um costume que gostaria de ver adotado. Isso puxa a mensagem para o universo do emissor, com sua visão, seu desejo e seu juízo de valor. Por isso, a função predominante é a emotiva, também chamada expressiva. Ela aparece quando o falante revela sentimentos, impressões, preferências ou estados de espírito. A fala pode até conter referência ao mundo real, mas o centro da atenção continua sendo a subjetividade de quem fala. Na citação, Machado usa expressões como "eu quisera ver" e "há um bom costume". Repare: ele não está narrando friamente um fato, mas comentando, avaliando e manifestando um desejo. É a cara da função emotiva, que costuma vir com marcas de pessoalidade, como verbos na 1ª pessoa, interjeições e adjetivos avaliativos. Em provas, a FGV gosta de testar essa diferença fina entre informar e se posicionar. Quando o texto traz a opinião ou a emoção do autor em destaque, desconfie da função emotiva antes de sair caçando outra função pelo texto.