Observe a seguinte fábula de Esopo: “Um burro atravessava um rio carregando sal. Como escorregou e caiu na água, o sal derreteu e a carga tornou-se mais leve. Feliz com isso, quando certa vez passava novamente perto do rio carregando esponjas, acreditou que, se caísse de novo, também aquela carga se tornaria mais leve. Então, escorregou de propósito, mas aconteceu-lhe que, como as esponjas absorveram a água, ele não pôde mais levantar-se e ali morreu afogado”. A característica básica de um texto narrativo é a sucessão cronológica de ações ou acontecimentos. Assinale a opção em que os verbos destacados não mostram sucessão cronológica.
- A)atravessava um rio / escorregou.
Correta: "atravessava" está no pretérito imperfeito, indicando ação em andamento, e não um fato que avance cronologicamente como os demais.
- B)escorregou / caiu na água.
Errada: "escorregou" e "caiu" são ações pontuais e sucessivas, com nítida relação de anterioridade e posterioridade.
- C)caiu na água / o sal derreteu.
Errada: "caiu na água" e "o sal derreteu" mostram encadeamento causal e temporal entre os acontecimentos.
- D)o sal derreteu / a carga tornou-se mais leve.
Errada: "o sal derreteu" e "a carga tornou-se mais leve" expressam sequência de fatos, com um resultado decorrendo do anterior.
Gabarito: A
Em texto narrativo, a sucessão cronológica aparece quando um fato leva ao outro, como se a história fosse empurrada para a frente por uma fileira de verbos. Em geral, isso ocorre com formas que indicam ações pontuais ou concluídas, como "escorregou", "caiu", "derreteu" e "tornou-se". O segredo da questão está em perceber que nem todo verbo na narrativa mostra avanço da ação. O verbo no pretérito imperfeito, como "atravessava", costuma indicar ação em curso, pano de fundo, hábito ou duração. Ele pinta o cenário, mas não faz a história andar sozinha. Por isso, na alternativa A, "atravessava um rio" e "escorregou" não expressam sucessão cronológica direta entre dois fatos equivalentes. O primeiro verbo mostra uma ação contínua, em andamento, enquanto o segundo marca o acontecimento que interrompe essa cena. Há convivência de fatos, não sequência de dois eventos pontuais. As demais alternativas trazem pares de verbos que realmente mostram encadeamento temporal: um fato acontece e provoca o seguinte. É a narrativa funcionando no modo clássico, bem no estilo fábula: um passo, depois outro, e o desfecho chegando sem pedir licença.