Nossos saberes, nossos cantos Ao fazer menção à educação indígena, nos referimos aos ensinamentos que são passados pela família, considerando sempre os saberes dos mais velhos, uma vez que estes são os sábios da aldeia, os detentores dos saberes tradicionais. E, para o Povo Pankararu, esses saberes são traduzidos através de várias expressões. O canto é uma das mais completas, que faz conexões com diversos contextos. Podemos afirmar que os Toantes indígenas vêm sendo passados pelos nossos antepassados e vivem, através dos tempos, na memória de todos nós. Nossos antepassados traduziram nossa história através dos Toantes. Eles nos deixaram saberes sobre todos os assuntos. Cantaram a natureza, a geografia, as pessoas, as histórias, as lendas, as curas e deixaram vivos na memória de cada geração. Os cantos fazem parte de diferentes momentos. Toantes e Torés são saberes e memória. O espaço da escola sistematiza saberes, o fazer pedagógico indígena tem os Toantes também presentes nessas construções de aprendizagens. PANKARARU, Elisa. Nossos saberes, nossos cantos. Disponível em:http://www.thydewa.org/wp-content/uploads/2013/12/CANTANDO-web-2013.pdf . Acesso em 4 mar. 2023. Segundo o texto, os Toantes e Torés são
- A)construções simbólicas plantadas desde o período colonial para serem próprias das formas de criar, interpretar, ouvir, ensinar, aprender e viver música do povo Pankararu.
Errada: o texto não fala de período colonial nem de “plantio” simbólico, mas de transmissão ancestral de saberes pela cultura Pankararu.
- B)aparatos técnicos e educacionais usados para formar o músico profissional, afastando-o do cantor intuitivo ou semi-intuitivo próprio dos gêneros musicais populares.
Errada: não há ideia de formação de músico profissional nem de oposição entre cantor intuitivo e técnico.
- C)fenômenos humanos e culturais geradores e também resultantes da complexa teia que caracteriza a cultura e, assim, têm papel preponderante na constituição da sociedade.
Certa: expressa a função cultural, histórica e social dos Toantes e Torés na formação da identidade e da memória coletiva.
- D)movimentos exóticos e engraçados constituídos por atos profanos ou meramente artísticos que, por eles, alcançam diversão garantida.
Errada: o texto não trata de exótico, engraçado, profano ou de diversão, mas de tradição e conhecimento.
- E)produções iconográficas tornadas símbolos representativos de certa singularidade que se remete ao local de origem, a uma paisagem geograficamente mapeada.
Errada: não se trata de imagens ou símbolos geográficos, e sim de cantos e práticas culturais ligadas à memória do povo.
Gabarito: C
A questão trabalha interpretação de texto: você precisa ler o trecho e identificar a ideia central que a autora quer transmitir. Aqui, Elisa Pankararu explica que os Toantes e Torés não são apenas “cantos” no sentido comum, mas formas de guardar e transmitir saberes, memória, história, natureza, cura e ensinamentos da comunidade. Ou seja, eles funcionam como parte viva da cultura indígena, ligados à educação, à tradição e à identidade do povo. Perceba que o texto insiste em palavras como “saberes”, “memória”, “antepassados”, “história” e “aprendizagens”. Isso mostra que os cantos têm função cultural e social, não sendo mero entretenimento. Eles organizam a vida coletiva e ajudam a formar a visão de mundo do povo Pankararu. Por isso, a alternativa correta é a C: ela resume essa dimensão humana e cultural dos Toantes e Torés, como fenômenos que participam da construção da cultura e da sociedade. Em interpretação, quando o texto fala de tradição, memória e educação comunitária, a banca costuma cobrar justamente essa leitura mais ampla, e não uma definição literal ou decorada. Não há aqui fundamento legal específico em jogo, porque a questão é de leitura e compreensão textual. O ponto decisivo é respeitar o sentido global do texto e não cair em opções que inventam informações que o enunciado não trouxe.