Assinale a frase em que a palavra sublinhada não mostra a mesma classe gramatical das demais.
- A)A família é como a varíola: a gente tem quando criança e fica marcado para o resto da vida.
Errada, porque "como" tem valor comparativo, ligando "família" e "varíola" por semelhança.
- B)Música é como uma lente colorida que muda a paisagem sem escondê-la.
Errada, porque "como" também estabelece comparação entre "música" e "uma lente colorida".
- C)Música é essencialmente inútil, como a vida.
Errada, porque "como" retoma a ideia de comparação entre "música" e "a vida".
- D)Um poema devia ser sem palavras, como o voo dos pássaros.
Errada, porque "como" igualmente funciona como elemento comparativo entre "poema" e "o voo dos pássaros".
- E)Arquitetura é a arte de como desperdiçar espaços.
Certa, porque "como" não está comparando, mas introduzindo a ideia de modo, isto é, de que maneira desperdiçar espaços.
Gabarito: E
A palavra "como" pode viver várias vidas na frase, e isso cai muito em prova. Na maior parte das vezes, ela aparece com valor de comparação, funcionando como conjunção subordinativa comparativa: "A é como B". É o caso das alternativas A, B, C e D, em que "como" liga termos por semelhança, sem ideia de modo. Na alternativa E, porém, "como" não está comparando arquitetura com outra coisa. Ele entra com valor de modo, equivalente a "de que forma" ou "de que maneira", em uma construção bem menos comparativa e mais explicativa do procedimento. Por isso, a classe gramatical muda em relação às demais. Em resumo: quando "como" traz comparação, ele costuma ser conjunção; quando traz ideia de modo, pode funcionar como advérbio interrogativo ou relativo de modo, dependendo do contexto. Em questões da FGV, a banca gosta justamente de trocar o rótulo na sutileza, para ver se voce lê a função da palavra na frase, e não só a carinha dela. Assim, o gabarito é a letra E, porque é a única em que "como" não mantém o valor comparativo das outras alternativas.