O verbo ter é largamente empregado em lugar de outros, com valores mais específicos. Assinale a frase abaixo em que o verbo ter está adequadamente substituído.
- A)Você pode aprender muito com crianças. Quanta paciência você tem, por exemplo. / suporta.
Errada: “ter paciência” não equivale a “suportar” nesse contexto, porque a frase pede a ideia de possuir uma qualidade, não de aguentar algo.
- B)O maior recurso natural que qualquer país pode ter são suas crianças. / incentivar.
Errada: em “O maior recurso natural que qualquer país pode ter...”, “ter” não significa “incentivar”, pois a relação é de posse/disponibilidade, não de estímulo.
- C)Nunca é tarde para se ter uma infância feliz. / desfrutar de.
Certa: em “ter uma infância feliz”, o verbo pode ser substituído por “desfrutar de” sem perda de sentido, mantendo a ideia de viver/experimentar essa fase feliz.
- D)A melhor maneira de ter crianças boas é fazê-las felizes. / gerar.
Errada: “ter crianças boas” não se substitui por “gerar”, porque o foco está em criar/formar crianças, e não apenas em dar origem biológica.
- E)Adolescência é a maneira de a natureza preparar os pais para brevemente terem o ninho vazio. / se alegrarem com.
Errada: “terem o ninho vazio” não significa “se alegrarem com”, já que a expressão indica ficar sem filhos em casa, não sentir alegria com isso.
Gabarito: C
Em Português, o verbo “ter” muitas vezes aparece como uma espécie de curinga: ele entra no lugar de verbos mais precisos, como “suportar”, “incentivar”, “desfrutar”, “gerar” ou “se alegrar”. A questão cobra justamente isso: identificar a substituição que mantém o sentido da frase sem tropeço semântico. Para acertar, você precisa olhar a equivalência de sentido. Não basta trocar “ter” por qualquer verbo bonito; a substituição tem de combinar com a ideia da frase. É como trocar uma peça: se não encaixar no contexto, a frase perde a lógica. Na alternativa correta, “Nunca é tarde para se ter uma infância feliz”, o verbo “ter” não está no sentido de “possuir” de forma material, e sim de “desfrutar de”, “viver” ou “usufruir de” uma infância feliz. Essa substituição preserva o significado e soa natural, que é exatamente o que a banca quer. As demais alternativas falham porque o verbo sugerido não corresponde ao valor de “ter” no contexto. A FGV costuma cobrar esse tipo de precisão lexical, misturando sinonímia aparente com sentido real. Aqui, a chave é perceber que a troca precisa fazer sentido na frase inteira, não só no dicionário.