Observe o seguinte texto jornalístico sobre um atentado que causou a morte de três médicos no Rio de Janeiro: “A polícia acha que essas mortes teriam sido provocadas por um engano, devido à semelhança entre um dos médicos e um famoso chefe da milícia local. Houve outra opinião que indicaria a hipótese de crime político, hoje descartada. Os médicos foram mortos num quiosque da praia da Barra e os prováveis assassinos foram encontrados mortos um dia depois do crime”. Apesar de ser um texto informativo, há marcas de imprecisão na notícia; assinale a frase abaixo que não traz qualquer marca de imprecisão.
- A)A polícia acha que essas mortes teriam sido provocadas por um engano.
Errada, porque “acha que” e “teriam sido” marcam dúvida e hipótese, afastando a certeza da informação.
- B)...devido à possível semelhança entre um dos médicos e um famoso chefe da milícia local.
Errada, porque “possível” introduz incerteza explícita, deixando a frase em tom de suposição.
- C)Houve outra opinião que indicaria a hipótese de crime político.
Errada, porque “indicaria a hipótese” é uma construção dupla de conjectura, sem afirmação categórica.
- D)Os médicos foram mortos num quiosque da praia da Barra.
Certa, porque a frase é direta e factual, sem palavras que sinalizem dúvida, possibilidade ou opinião.
- E)...os prováveis assassinos foram encontrados mortos um dia depois do crime.
Errada, porque “prováveis assassinos” mostra que a autoria não está afirmada com segurança, apenas estimada.
Gabarito: D
A questão trabalha um ponto clássico de interpretação: identificar marcas de imprecisão, isto é, palavras ou construções que revelam dúvida, hipótese, suposição ou informação não confirmada. Em notícia jornalística, isso costuma aparecer com verbos no condicional, expressões como “acha que”, “teria sido”, “possível”, “provável”, “hipótese”, “indicaria” e afins. Elas funcionam como um freio narrativo: o texto informa, mas não crava tudo com certeza absoluta. No enunciado, quase todas as frases trazem esse clima de incerteza. Há “acha que”, “teriam sido”, “possível”, “indicaria”, “prováveis”. Ou seja, o texto vai colocando almofadas de cautela em cada trecho. Isso é comum em jornalismo quando a apuração ainda não fechou ou quando a fonte não é totalmente segura. A alternativa D é a única que não carrega essa marca de imprecisão. “Os médicos foram mortos num quiosque da praia da Barra.” Aqui há uma afirmação direta, objetiva e sem modalizadores de dúvida. A frase apenas relata um fato, sem indicar hipótese, possibilidade ou opinião. Em termos de prova da FGV, a chave é olhar o valor semântico das palavras: se a frase aponta certeza, ela fica fora do grupo das imprecisas. Se coloca distância, suspeita ou suposição, a banca costuma cobrar isso com precisão cirúrgica - e uma pitada de malícia.