Em todas as opções abaixo aparecem duas frases, que foram reescritas em uma só frase com o auxílio do pronome relativo “cujo”; a frase em que isso foi feito de forma inadequada, é:
- A)O turista dirigiu-se à delegacia / Sua carteira fora roubada = O turista, cuja carteira fora roubada, dirigiu-se à delegacia;
Correta, pois "cuja carteira" retoma "turista" e estabelece adequadamente a relação de posse entre o antecedente e o substantivo seguinte.
- B)O técnico criticou os jogadores / A atuação dos jogadores deixou muito a desejar = O técnico criticou os jogadores cuja atuação deixou muito a desejar;
Correta, porque "cuja atuação" retoma "jogadores" e preserva o sentido de que a atuação pertence a eles.
- C)O motorista se queixou ao policial / Seu carro havia sido fechado pelo ônibus = O motorista, cujo carro havia sido fechado pelo ônibus, se queixou ao policial;
Correta, já que "cujo carro" indica com naturalidade o carro do motorista, mantendo a ligação possessiva exigida por "cujo".
- D)Este é o livro indicado para leitura / Li suas páginas com atenção = Este é o livro cuja leitura foi indicada e li suas páginas com atenção;
Errada, porque a reescrita não conserva bem o sentido original e usa "cujo" de forma forçada, com encaixe sintático inadequado na união das duas frases.
- E)Gostaria que todos conhecessem o escritor / Considero sua obra uma maravilha = Gostaria que todos conhecessem o escritor cuja obra considero uma maravilha.
Correta, pois "cuja obra" retoma "escritor" e a relação de posse entre o autor e sua obra fica perfeitamente ajustada.
Gabarito: D
O pronome relativo "cujo" é o queridinho das questões de morfologia porque ele parece simples, mas cobra precisão. Ele serve para ligar duas ideias e marcar relação de posse, concordando com o substantivo que vem depois dele. Em outras palavras: "cujo" não pode ser tratado como um enfeite qualquer da frase; ele exige encaixe sintático e sentido coerente. A regra prática é esta: o termo antes de "cujo" vira o antecedente, e o substantivo depois de "cujo" é o núcleo que vai concordar com ele. Assim, você obtém construções como "o escritor cuja obra admiro" ou "o aluno cujos pais viajaram". A banca FGV adora testar se você percebe esse encaixe sem cair na tentação de montar frases bonitas, mas mal construídas. No item D, a reescrita ficou inadequada porque o original não expressa posse de modo natural entre "livro" e "leitura". A ideia de "indicado para leitura" foi transformada em "cuja leitura foi indicada", mas isso altera o sentido e força uma relação possessiva que não era o melhor caminho para unir as frases. Além disso, a segunda parte ficou solta e não foi integrada de modo correto pela estrutura com "cujo". As demais alternativas mantêm a relação de posse ou pertinência de forma adequada: carteira do turista, atuação dos jogadores, carro do motorista e obra do escritor. Moral da história: com "cujo", você precisa de sentido de posse e de construção sintática bem amarrada. Se a frase parece elegante, mas o vínculo não fecha, a FGV já está sorrindo no canto.