Assinale a frase abaixo em que a expressão “é que” funciona como partícula de realce, não exercendo nenhuma função sintática.
- A)O problema com as crianças é que elas não são retornáveis.
Errada, porque “é que” liga o sujeito “o problema com as crianças” ao predicativo “elas não são retornáveis”, funcionando na estrutura exclamativa/explicativa da oração, e não como mero realce.
- B)A verdade é que a gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final.
Errada, porque “é que” integra a estrutura de definição/explicação da frase (“A verdade é que...” ), não sendo usado apenas como partícula de realce.
- C)A razão por que pessoas culpam as gerações anteriores é que há apenas uma outra escolha.
Errada, porque “é que” aparece na construção explicativa que introduz a razão da afirmação, exercendo papel sintático na organização do enunciado.
- D)A arte é que é longa, a vida é breve.
Certa, porque “é que” funciona só para dar ênfase a “é longa”, sem desempenhar função sintática própria.
- E)A prova de que o balé dá sono é que os artistas sempre entram na ponta dos pés.
Errada, porque “é que” introduz a explicação da prova, fazendo parte da estrutura sintática da frase, e não apenas realçando um termo.
Gabarito: D
A expressão “é que” pode aparecer de dois jeitos bem comuns nas provas: como parte da construção de realce, sem função sintática própria, ou como elemento que integra o predicado, muitas vezes na estrutura de explicação ou definição. Quando ela serve só para dar destaque, ela funciona quase como um holofote: chama atenção para um termo da frase, mas não exerce papel sintático relevante por si mesma. Nesse caso, o sentido principal continua com os outros termos da oração. Na alternativa D, temos “A arte é que é longa, a vida é breve.” Aqui, “é que” não acrescenta uma função sintática autônoma; ele só reforça o contraste e dá ênfase ao predicado “é longa”. É a típica construção enfática, em que a frase continua gramaticalmente firme mesmo sem esse pedacinho de realce. A ideia central é: a arte é longa, a vida é breve, e o “é que” entra para destacar a informação, não para completar a regência de nenhum verbo ou termo. As bancas, especialmente a FGV, gostam de testar se você sabe separar destaque de função sintática. Não basta ver “é que” e sair marcando qualquer coisa: você precisa observar se ele só intensifica a frase ou se está realmente organizando a oração de outro modo. Aqui, ele só faz o papel de ênfase mesmo, sem “trabalhar” como sujeito, objeto, complemento ou algo parecido. Em resumo: quando “é que” apenas realça o que já está sendo dito, ele é partícula de realce. Por isso o gabarito é D.