“No trançado da história, o que interessa, afinal, é o resultado. O fim acaba sempre justificando os meios desde que não esteja demasiado longe – em sacrifícios e tempo – do início.” Millôr Fernandes. Sobre a estruturação desse pequeno texto, é correto afirmar que se trata de um texto
- A)narrativo/descritivo, cujo objeto é a afirmação de que os fins justificam os meios.
Errada: não há narrativa nem descrição, mas sim uma reflexão opinativa sobre a relação entre fins e meios.
- B)argumentativo, em que a tese inicial está sujeita a uma condição.
Certa: o texto apresenta uma tese inicial e a submete a uma condição, caracterizando uma estrutura argumentativa.
- C)injuntivo, em que o objetivo é aconselhar os leitores sobre como proceder.
Errada: o texto não orienta o leitor a agir, apenas expõe uma ideia e a delimita com uma condição.
- D)informativo, cujo tema é uma discussão filosófica.
Errada: não se trata de texto informativo, pois não há transmissão objetiva de dados, e sim posicionamento autoral.
- E)puramente narrativo, marcado pela presença de fatos históricos.
Errada: não há sequência de fatos históricos nem enredo narrativo, apenas uma afirmação reflexiva.
Gabarito: B
Aqui a banca quer saber como o texto se organiza, e não apenas “do que ele fala”. O trecho de Millôr Fernandes apresenta uma ideia central sobre a relação entre fins e meios, mas faz isso de modo reflexivo e opinativo, tentando convencer o leitor de uma visão de mundo. Isso é marca de texto argumentativo: há uma tese implícita e um posicionamento do autor. Repare que a frase inicial já lança a ideia principal: “o que interessa, afinal, é o resultado”. Em seguida, ela é modulada por uma condição: “desde que não esteja demasiadamente longe... do início”. Ou seja, o autor afirma algo, mas logo limita essa afirmação. Esse tipo de construção mostra raciocínio e defesa de ponto de vista, não narrativa de fatos nem instrução ao leitor. Por isso o gabarito é a letra B. O texto não conta uma história, não descreve personagens, não informa um dado objetivo e também não dá ordens. Ele funciona como uma pequena reflexão argumentativa, com tese inicial condicionada por um critério de aceitabilidade. Em prova da FGV, quando o texto é curto e vem com tom de máxima ou aforismo, vale desconfiar: muitas vezes a banca quer testar se você percebe o argumento escondido na frase.