Assinale a frase em que o imperfeito do indicativo está empregado como expressão de modéstia, em lugar do presente do indicativo.
- A)Minha flor, eu queria dizer que desaprovo essa atitude.
Certa, porque "eu queria dizer" usa o imperfeito no lugar de "eu quero dizer", criando um efeito de modéstia e polidez.
- B)Getúlio Vargas era muito baixo.
Errada, porque "era" indica estado/descrição no passado, sem qualquer valor de modéstia.
- C)Se tivesse dinheiro, comprava um carro novo.
Errada, porque "comprava" expressa hipótese ou ideia de ação futura no passado, e não substituição cortês do presente.
- D)Cristo dizia para amarmo-nos uns aos outros.
Errada, porque "dizia" tem valor histórico/habitual, narrando uma ação reiterada no passado.
- E)A rua estava deserta àquela hora.
Errada, porque "estava" apenas descreve um estado passado, sem função de atenuação da fala.
Gabarito: A
O imperfeito do indicativo não serve só para falar de ação passada em andamento. Ele também pode aparecer com valor estilístico, inclusive para suavizar o discurso. Um uso clássico é a chamada expressão de modéstia: a pessoa fala no imperfeito em vez do presente para soar menos direta, mais cortês, como se diminuísse o peso do que está dizendo. Na frase da letra A, isso fica bem claro: "eu queria dizer" equivale, na prática, a "eu quero dizer". A troca do presente pelo imperfeito deixa a fala mais delicada, menos impositiva. É um recurso de polidez, muito cobrado em provas porque a banca adora misturar valor temporal com valor expressivo. Já nas demais alternativas, o imperfeito está com seu valor normal: descrição de estado, ação habitual, hipótese ou cenário passado. Ou seja, nada de modéstia aí. O segredo é perceber que a questão não pergunta só "tempo verbal", mas o efeito de sentido produzido pelo verbo. Em resumo: quando o imperfeito entra no lugar do presente para atenuar a afirmação e dar um tom mais educado, temos a expressão de modéstia. É o verbo fazendo pose de humilde, sem perder a gramática.