A frase “Quem pede a mão de uma mulher, o que realmente deseja é o resto do corpo” materializa um exemplo de linguagem figurada, que é
- A)a metáfora.
Errada, porque não há comparação por semelhança, mas substituição de uma parte pelo todo.
- B)o pleonasmo.
Errada, porque não há repetição desnecessária de termos ou reforço expressivo da mesma ideia.
- C)a silepse.
Errada, porque não há concordância ideológica especial entre sujeito e verbo nem mudança de número/pessoa.
- D)a metonímia.
Certa, porque a expressão usa uma parte do corpo para se referir à pessoa inteira, caracterizando metonímia.
- E)o eufemismo.
Errada, porque a frase não suaviza uma ideia desagradável; ela apenas desloca o sentido por proximidade.
Gabarito: D
A frase trabalha com linguagem figurada para ir além do sentido literal. Em vez de falar de forma direta e “limpa”, ela desloca o foco para uma parte do corpo para representar a pessoa inteira. Isso é muito comum quando a língua quer sugerir, resumir ou criar efeito de sentido sem dizer tudo de maneira explícita. No caso, “a mão de uma mulher” não é apenas a mão: a expressão funciona como um modo de se referir à própria mulher, isto é, a parte representa o todo. Esse é exatamente o mecanismo da metonímia. Repare que a frase aproveita uma associação natural entre uma parte do corpo e a pessoa inteira, sem fazer comparação poética nem suavizar a ideia. Por isso o gabarito é a letra D. A metonímia ocorre quando há substituição por proximidade de sentido: parte pelo todo, autor pela obra, continente pelo conteúdo, causa pelo efeito, e assim por diante. Aqui, a parte do corpo aparece no lugar da mulher como um todo. Se a frase fosse metáfora, haveria comparação implícita por semelhança, como em “ele é um leão”. Se fosse eufemismo, a intenção seria amenizar algo mais pesado. Aqui não: a graça da frase está justamente no desvio de sentido pela relação de contiguidade.