A frase abaixo que mostra ambiguidade em função de NÃO se poder distinguir agente e paciente, é:
- A)O chefe encontrou o funcionário em seu gabinete;
Errada, porque a frase é ambígua em outro aspecto, mas não impede distinguir agente e paciente.
- B)A criação da instituição demorou mais do que se esperava;
Certa, porque a construção permite dúvida sobre a relação entre quem pratica e quem sofre a ação, gerando a ambiguidade pedida.
- C)João e Maria se casaram ontem;
Errada, pois "se casaram" indica reciprocidade e não cria a dúvida entre agente e paciente exigida no enunciado.
- D)Encontrei o assaltante andando pela rua;
Errada, porque o particípio e o gerúndio deixam clara a ação principal, sem confusão sobre quem age e quem sofre.
- E)Chamar os bombeiros já ficou na moda.
Errada, já que a estrutura é coloquial e pode soar estranha, mas não produz a ambiguidade específica entre agente e paciente.
Gabarito: B
A questão trabalha ambiguidade sintática, que aparece quando a frase permite mais de uma leitura razoável. Aqui, a banca quer a situação em que voce não consegue distinguir com clareza quem pratica a ação e quem a sofre. Em redação e interpretação, isso costuma nascer de um substantivo abstrato seguido de complemento, porque a estrutura fica meio nebulosa: parece ação, mas também pode soar como resultado da ação. Na alternativa B, "A criação da instituição demorou mais do que se esperava", a expressão "criação da instituição" deixa dúvida sobre o papel dos termos. Pode-se entender "criação" como o ato de criar a instituição, mas também como algo criado pela instituição, dependendo da leitura. Essa oscilação embaralha a relação entre agente e paciente, que é exatamente o ponto cobrado. As demais alternativas não geram essa confusão central entre agente e paciente. Elas podem até ter outro tipo de ambiguidade ou apenas uma construção mais simples, mas não trazem a mesma dupla interpretação pedida no enunciado. Em prova da FGV, isso é comum: a banca gosta de cobrar a ambiguidade fina, aquela que nasce da estrutura, não de um simples sentido amplo da palavra. Então, a chave é esta: se a frase permite dúvida sobre quem faz e quem recebe a ação, há ambiguidade sintática relevante. Se a leitura flui sem esse tropeço, a alternativa fica fora da resposta.