Um ex-governador da Bahia, já falecido, falando de um adversário político, declarou: “Não dá para lidar com alguém que não usa paletó, usa sobretudo”. O argumento empregado pelo ex-governador pode ser classificado como inadequado porque:
- A)se fundamenta parcialmente em uma opinião pessoal;
Errada, porque o problema principal não é apenas haver opinião pessoal, mas sim desviar a crítica para a pessoa em vez de discutir o conteúdo.
- B)não apresenta provas do que declara;
Errada, pois a falha central não é a ausência de provas, e sim o ataque pessoal que foge do tema debatido.
- C)substitui o racional pelo emotivo;
Errada, porque a oposição entre racional e emotivo não descreve com precisão o vício argumentativo mostrado no enunciado.
- D)foge do assunto, focalizando a pessoa e não os fatos;
Certa, pois o argumento ataca a pessoa e sua aparência, em vez de enfrentar os fatos ou a ideia discutida.
- E)apela para uma autoridade discutível.
Errada, já que não há apelo a autoridade; o problema é a desqualificação pessoal do adversário.
Gabarito: D
A questão trata de um vício clássico de argumentação: em vez de discutir ideias, fatos ou provas, o falante ataca a pessoa. Isso é o famoso argumento ad hominem, quando o foco sai do conteúdo e vai para a imagem, a aparência, a conduta ou a característica do adversário. Fica elegante só na forma; no fundo, é um desvio de rota bem conhecido da lógica e da retórica. No enunciado, o ex-governador não rebateu uma proposta, nem apresentou um fato concreto sobre o adversário. Ele apenas usou a roupa como forma de desqualificação, como se o tipo de vestuário tivesse relação direta com a validade do que o outro diz. Isso é irrelevante para o mérito do debate político. Por isso, o gabarito é a letra D: o argumento foge do assunto, porque focaliza a pessoa e não os fatos. Em prova de interpretação, sempre desconfie quando a frase tenta convencer pela ironia, pelo deboche ou pela crítica pessoal, mas não entrega nenhum dado que sustente a conclusão. Em termos doutrinários, a retórica e a argumentação correta exigem pertinência entre premissa e conclusão. Quando essa ligação é quebrada e a pessoa vira o alvo, o argumento perde força racional. Aqui, o problema não é a falta de estilo, e sim a falta de ligação lógica com o que realmente deveria ser discutido.