A frase em que o vocábulo sublinhado exemplifica a linguagem lógica e não uma metáfora, é:
- A)Infância é vida sob uma ditadura;
Errada, porque "ditadura" é usado em sentido figurado para caracterizar opressão na infância, e não no sentido político literal.
- B)Uma criança não é um vaso a ser preenchido, mas um fogo para ser aceso;
Errada, porque "vaso" e "fogo" são metáforas para a criança, comparando-a a algo que pode ser moldado ou despertado.
- C)Crianças são as mensagens vivas que nós enviamos a um tempo que não veremos;
Errada, porque "mensagens vivas" é linguagem figurada, já que crianças não são mensagens literalmente enviadas ao tempo.
- D)Nunca é tarde para ter uma infância feliz;
Certa, porque a frase usa linguagem direta e lógica, sem metáfora no vocábulo destacado.
- E)Criança é um anjo cujas asas diminuem à medida que crescem as pernas.
Errada, porque "anjo" e "asas" criam imagem metafórica para a criança, e não descrição literal.
Gabarito: D
A questão cobra a diferença entre linguagem literal, ou lógica, e linguagem figurada, especialmente a metáfora. Na linguagem lógica, as palavras são usadas no seu sentido direto, sem comparação implícita. Já na metáfora, há um deslocamento de sentido: uma coisa é apresentada como se fosse outra, para produzir efeito expressivo. Perceba que as alternativas A, B, C e E brincam com imagens: ditadura para a infância, vaso e fogo para a criança, mensagens vivas enviadas ao tempo e anjo com asas. Tudo isso exige interpretação figurada, porque ninguém está falando de forma literal. É aquele jeito literário de dizer mais do que diz, sem avisar com placa. A alternativa D é a correta porque a frase "Nunca é tarde para ter uma infância feliz" não cria comparação metafórica no vocábulo destacado. A expressão "infância feliz" é compreensível em sentido direto, como referência a uma etapa da vida marcada por felicidade, ainda que a frase use uma formulação reflexiva e ampla. O enunciado pede justamente o vocábulo que exemplifica linguagem lógica, e aqui não há substituição imaginativa de sentidos. Em provas da FGV, fique atento: a banca costuma misturar frases poéticas com enunciados mais sóbrios para ver se você confunde beleza da frase com metáfora. Nem toda frase bonita é figurada; às vezes ela só está dizendo algo de modo direto.