Assinale a opção em que a inferência indicada foi retirada ilogicamente da frase.
- A)Deus não paga no fim de cada semana, mas paga. / Há um tipo de pagamento qualquer que é feito semanalmente.
A inferência é aceitável, porque a frase contrapõe o pagamento humano ao divino e admite a ideia de uma espécie de retribuição periódica.
- B)O inferno está cheio de boas intenções. / As boas intenções não são suficientes para a realização de boas obras.
A conclusão está coerente com o provérbio, já que “o inferno está cheio de boas intenções” sugere que intenção, sozinha, não basta.
- C)Deus me respeita quando eu trabalho. Mas me ama quando eu canto. / Deus prefere o canto ao trabalho.
A inferência é compatível com a frase, pois ela estabelece uma preferência afetiva maior no momento do canto do que no do trabalho.
- D)Muda-se mais facilmente de religião do que de café. / A mudança de hábitos leva à mudança de religião.
Errada, porque a frase compara dificuldades de mudança e não autoriza concluir que mudar hábitos provoca mudança de religião.
- E)Deus fez o primeiro jardim e Caim, a primeira cidade. / Os jardins são criações superiores às das cidades.
A inferência é plausível, pois a oposição entre jardim e cidade permite ler valor superior nas criações ligadas ao jardim.
Gabarito: D
Nesta questão, a banca cobra a habilidade de verificar se uma inferência realmente decorre da frase ou se foi “forçada” demais. Em prova, isso aparece muito: o texto diz uma coisa, e a alternativa tenta transformar isso em uma conclusão que parece bonita, mas não segue logicamente do enunciado. O ponto central é simples: inferência boa é a que nasce do que foi dito, sem inventar relação nova. Se a frase fala de comparação, você só pode concluir algo compatível com essa comparação. Se fala de causa, efeito, preferência ou valor, a conclusão precisa respeitar essa direção lógica. Na letra D, a frase diz apenas que é mais fácil mudar de religião do que de café. Isso permite inferir, no máximo, que a mudança de religião é menos difícil do que a mudança de café, ou que hábitos ligados ao café são mais arraigados. Mas a alternativa conclui que a mudança de hábitos leva à mudança de religião, e isso é o oposto do que a frase sugere. Ou seja: a inferência saiu do texto, mas saiu tropeçando. As demais alternativas mantêm a lógica do enunciado: em B, a ideia é que boas intenções não bastam; em C, há uma gradação afetiva entre trabalhar e cantar; em E, compara-se a qualidade simbólica das criações, permitindo a inferência proposta. A banca FGV gosta desse jogo de interpretação fina: não basta parecer coerente, tem de ser logicamente amarrado ao texto.