Assinale a opção em que a figura de linguagem está corretamente identificada.
- A)Paradoxo: “Um homem só está sempre em má companhia.”
Correta: há paradoxo, pois a frase aproxima termos aparentemente incompatíveis, criando uma contradição expressiva.
- B)Pleonasmo: “Para o desesperado, a partida não parece menos impossível do que o retorno.”
Errada: não há pleonasmo, porque a frase não repete a mesma ideia de forma desnecessária nem reforça conteúdo por redundância.
- C)Eufemismo: “A humanidade se divide em duas categorias: aqueles que se levantam tarde e aqueles que se levantam cedo.”
Errada: não há eufemismo, já que a frase não suaviza uma ideia desagradável ou chocante, apenas faz uma divisão em grupos.
- D)Hipérbole: “A maioria dos homens vive uma existência de tranquilo desespero.”
Errada: não há hipérbole, pois a expressão não exagera de modo evidente; trata-se de uma formulação de sentido abstrato, não de ampliação extrema.
Gabarito: A
Nesta questão, o foco é reconhecer figuras de linguagem pelo efeito de sentido, e não pelo nome bonito da expressão. A banca adora trocar a definição pela sensação que a frase provoca: às vezes há contraste de ideias, exagero, suavização, repetição desnecessária e por aí vai. O segredo é perguntar: o trecho combina termos opostos, exagera, ameniza ou repete a mesma ideia? Na alternativa A, há paradoxo: a frase junta ideias aparentemente contraditórias - estar só e, ao mesmo tempo, estar em má companhia. Parece um jogo lógico meio torto, mas é exatamente isso que caracteriza o paradoxo: uma união de conceitos opostos para produzir sentido expressivo. A construção chama atenção porque a solidão vira, ironicamente, uma forma de companhia ruim. As demais alternativas tentam distrair você com rótulos trocados. Não há pleonasmo em B, porque não existe repetição inútil de ideia; também não há eufemismo em C, já que a frase não suaviza nada, apenas classifica pessoas; e em D não há hipérbole, porque não existe exagero evidente, mas uma formulação de tom mais abstrato e reflexivo. Em prova da FGV, a armadilha costuma estar justamente em confundir o nome da figura com qualquer frase “espertinha”.