Assinale a frase em que a conjunção “e” tem valor adversativo.
- A)De tigre faminto e mulher apaixonada não há quem escape.
Errada, porque o “e” liga dois complementos dentro da mesma ideia, com valor aditivo, sem oposição entre eles.
- B)Morremos em um instante, e tememos a morte por muitos anos.
Certa, porque o “e” introduz contraste entre a brevidade da morte e a longa duração do medo, assumindo valor adversativo.
- C)Deus criou o mundo em seis dias e, no domingo, descansou.
Errada, porque o “e” apenas acrescenta outra ação praticada por Deus, com sentido de sequência e adição.
- D)Os homens são criaturas com duas pernas e oito mãos.
Errada, porque o “e” soma características do ser descrito, funcionando de modo aditivo e não contrastivo.
- E)Homens são todos parecidos, exceto aquele um que você encontrou e é diferente.
Errada, porque o “e” coordena uma oração que completa a informação anterior, sem ideia de oposição.
Gabarito: B
A conjunção “e” costuma fazer o papel clássico de adição, aquele pacote básico de soma de ideias. Mas ela não fica presa a isso: em certos contextos, pode ganhar valor adversativo, isto é, de contraste, quase como um “mas” disfarçado. Isso acontece quando a segunda oração cria oposição, quebra de expectativa ou ressalva em relação à primeira. Na frase correta, há um contraste claro: primeiro se diz que o homem morre em um instante; depois, surpreendentemente, diz-se que ele teme a morte por muitos anos. O “e” não está somando ideias iguais, mas contrapondo uma realidade rápida e objetiva com uma atitude prolongada e humana. Em bom português de prova, ele equivale a “mas”. Esse uso é bem conhecido na sintaxe e na semântica das conjunções: o valor da conjunção não depende só da palavra isolada, mas do contexto em que aparece. É por isso que a FGV gosta de testar se você lê a frase inteira, e não apenas bate o olho no “e” e pensa automaticamente em adição. Então, a chave aqui é identificar a oposição entre as ideias. Quando a segunda oração não complementa a primeira, mas a corrige, limita ou contrasta, o “e” pode virar adversativo sem cerimônia.