A frase que mostra um problema de construção por haver trocado o emprego entre dois parônimos, é:
- A)Houve uma enorme afluência de público no dia da inauguração (afluência / influência);
Correta, porque “afluência” significa grande fluxo ou chegada de pessoas, e combina perfeitamente com a ideia de público na inauguração.
- B)O fogo consumiu todos os produtos do galpão (consumiu / consumou);
Correta, porque “consumiu” é o verbo adequado para indicar que o fogo destruiu ou queimou os produtos.
- C)O reitor da universidade é considerado uma pessoa eminente (eminente / iminente);
Correta, porque “eminente” significa ilustre, destacado, de alto valor ou importância, o que cabe para um reitor.
- D)O médico, pela infeção, lhe havia prescrito antibióticos (prescrito / proscrito);
Correta, porque “prescrito” quer dizer indicado pelo médico; “proscrito” é banido ou proibido.
- E)Havia dormido mal e estava com humor pouco social (social / sociável).
Errada, porque “social” não descreve traço de personalidade; o sentido pedido é de pessoa mais reservada ou pouco dada à convivência.
Gabarito: E
A banca está cobrando parônimos, isto é, palavras parecidas na forma, mas diferentes no sentido. Em questões assim, o perigo é o ouvido achar que a frase está boa porque a palavra “soa” correta, mas a ideia ficou trocada. É aquele clássico golpe de vista: a frase parece elegante, mas escorregou no significado. No caso da alternativa E, o problema está em “humor pouco social”. Aqui, o adjetivo adequado para indicar alguém sem facilidade de convívio, reservado ou arredio é “sociável”, não “social”. “Social” se relaciona à sociedade, ao meio social, às questões coletivas; já “sociável” caracteriza a pessoa com facilidade para conviver com os outros. Por isso, a frase fica semanticamente inadequada. As demais alternativas usam os termos no sentido correto. Em prova de gramática normativa, a FGV costuma explorar justamente essas trocas finas entre palavras parecidas, exigindo atenção ao sentido exato, não só à aparência. Não há um “artigo” ou regra legal aqui, mas sim norma culta e vocabulário preciso. Resumo prático: quando a palavra descreve uma qualidade da pessoa, desconfie se você usou um termo que remete a contexto, ambiente ou coletividade. Na dúvida, pergunte: estou falando da pessoa ou do meio em que ela vive?