Leia o trecho a seguir. “Os chamados ‘meios de comunicação social’, também apelidados, à inglesa, mídia, estão submetendo a pobre língua portuguesa a um processo de tortura que não se pode prever se ela resistirá. Os jornais, sem exclusão dos chamados ‘classe A’, disputam um triste páreo de solecismos, barbarismos, cacofonias, ambiguidades e outros aleijões, que confrangem esse legado recebido de graça, já perfeito e acabado, quando o Brasil nasceu para a europeização. [....] Para o que ora nos interessa, basta lembrar que, indiscutivelmente, outrora se escrevia e falava muito melhor que hoje ‘nosso português casta linguagem.” Chaves de Melo, Gladstone. Na Ponta da Língua, v.2. A principal crítica desse pequeno texto se dirige
- A)àqueles que desrespeitam a tradição da língua.
Correta: o texto condena o uso inadequado da língua e a quebra da tradição gramatical e estilística.
- B)aos novos jornalistas, que priorizam a oralidade.
Errada: o foco não é a preferência dos novos jornalistas pela oralidade, mas o mau uso e os vícios de linguagem.
- C)aos que manifestam nítido preconceito linguístico.
Errada: o texto não critica preconceito linguístico; ao contrário, ele manifesta postura normativa contra usos considerados incorretos.
- D)aos que preferem vocábulos ingleses aos portugueses.
Errada: embora haja menção a "mídia" e "à inglesa", a crítica central não é ao uso de anglicismos, mas ao desrespeito geral à língua.
- E)àqueles que preferem a informalidade à formalidade.
Errada: o autor não opõe formalidade e informalidade; ele ataca erros e deformações, não o registro informal em si.
Gabarito: A
O trecho tem um tom bem claro de defesa da norma tradicional da língua portuguesa. O autor critica os "meios de comunicação social" por estarem submetendo a língua a um "processo de tortura" com erros como solecismos, barbarismos, cacofonias e ambiguidades. Em outras palavras, ele reclama do uso descuidado da língua e da perda do padrão que, para ele, deveria ser preservado. Perceba que a crítica não é sobre gosto pessoal por palavras estrangeiras, nem sobre oralidade ou informalidade. O alvo principal é o desrespeito à tradição linguística, vista como um patrimônio já consolidado e que estaria sendo deteriorado pelo mau uso. Por isso, o gabarito é a letra A: o texto se dirige àqueles que desrespeitam a tradição da língua. A leitura correta depende de captar o ponto de vista do autor, que é normativo e conservador quanto ao uso linguístico.