Um tratado francês sobre os sinais de pontuação traz, em sua introdução, o seguinte poema: Pontuação Os pontos de exclamação da chuva, a vírgula das plantas, as reticências do nevoeiro, os parênteses do meio-dia, o ponto final da tarde, o parágrafo da aurora. Esse poema traz um conjunto de metáforas; assinale a opção em que a metáfora empregada está coerentemente explicada, tendo em vista as funções dos sinais de pontuação.
- A)Assim como o ponto de exclamação denota surpresas, a chuva pode ser motivo de perturbações.
Errada, porque o ponto de exclamação expressa ênfase ou surpresa, mas a explicação dada sobre a chuva é apenas genérica e não traduz com precisão essa função.
- B)Assim como as reticências não completam o pensamento, o nevoeiro não permite a visão de todas as coisas.
Certa, porque as reticências sugerem suspensão/incompletude, assim como o nevoeiro impede que tudo seja visto com nitidez.
- C)Assim como os parênteses inserem uma informação no texto, o meio-dia pode trazer mudanças à nossa rotina.
Errada, porque os parênteses realmente inserem uma informação acessória, mas a relação com o meio-dia e mudanças na rotina não corresponde à função pontuacional proposta.
- D)Assim como o ponto final encerra um tema do texto, a tarde encerra o dia e suas atividades.
Errada, porque o ponto final encerra uma enunciação, mas dizer que a tarde encerra o dia é uma associação temporal, não uma explicação coerente da função do sinal.
Gabarito: B
A questão trabalha a ideia de metáfora aplicada aos sinais de pontuação: o poema compara elementos da natureza com funções gráficas e sintáticas do texto. A lógica é simples, mas bonita: cada imagem natural sugere um efeito de linguagem. Quando você entende a função do sinal, fica mais fácil perceber se a comparação faz sentido ou se é só uma associação “bonita”, porém torta. As reticências, por exemplo, indicam interrupção, suspensão, continuação do pensamento ou algo que fica em aberto. Já o nevoeiro dificulta enxergar tudo com clareza, porque a visão não se completa. A metáfora, então, é coerente: assim como as reticências deixam a frase em suspenso, o nevoeiro deixa a paisagem parcialmente oculta. É por isso que o gabarito é a letra B. A explicação respeita a função dos sinais de pontuação e a imagem usada no poema. A banca FGV gosta justamente dessa leitura de correspondência semântica: não basta a frase parecer elegante, ela precisa casar com a função real do sinal. Nas outras alternativas, a relação fica forçada ou genérica demais. O segredo aqui é não confundir função do sinal com sensação vaga que ele pode causar. Em prova, a beleza do texto engana; a sintaxe e a função do sinal é que mandam no jogo.