Todas as frases a seguir mostram formas verbais no pretérito imperfeito do indicativo. Assinale a frase em que o emprego desse tempo verbal tem o valor de “ação habitual”.
- A)Nessa hora meu irmão lia, enquanto minha mãe tirava a sesta e eu me aborrecia.
Errada: aqui o imperfeito marca ações simultâneas e de fundo narrativo, não uma rotina habitual.
- B)Nas manhãs da primavera, ele metia o pé na estrada bem cedo.
Certa: "nas manhãs da primavera" indica repetição, e "metia" expressa um costume ou ação habitual no passado.
- C)Bernardo afirmou que Magda compreendia bem a sua ideia.
Errada: o verbo expressa uma ação/estado no passado ligado ao discurso de outra pessoa, sem ideia de hábito.
- D)A torre media mais de 100m e o vento soprava muito forte a seu redor.
Errada: os verbos descrevem características e condição no passado, funcionando mais como descrição do que como hábito.
- E)O diretor dava o mesmo aviso em todas as salas, alertando para o perigo.
Errada: há ideia de repetição em "em todas as salas", mas o foco está no ato reiterado pelo diretor, e a construção pede leitura descritiva/narrativa, não a forma mais típica de ação habitual cobrada pela banca.
Gabarito: B
O pretérito imperfeito do indicativo pode aparecer com vários valores: ação em curso no passado, descrição de cenário, polidez, e também ação habitual, isto é, algo que acontecia com frequência. É aquele tempo que muitas vezes traz a ideia de rotina, costume ou repetição: "todo dia acontecia assim". Na questão, a banca quer justamente esse valor de hábito. Repare que, quando a frase traz um marcador de repetição no tempo, como "nas manhãs da primavera", o verbo no imperfeito ganha naturalmente a ideia de costume. Não é um fato isolado, mas uma prática recorrente, quase um ritual. Por isso, a letra B está correta: "Nas manhãs da primavera, ele metia o pé na estrada bem cedo." Aqui, "nas manhãs da primavera" sugere repetição ao longo de um período, e "metia" indica algo que ele fazia habitualmente. O sentido é de ação costumeira, não de ação pontual. Nas demais alternativas, o imperfeito serve mais para cenário, simultaneidade de ações ou descrição de características no passado. É aquele clássico da gramática que adora variar de função, mas a pista do enunciado pede o valor de hábito, e a frase B entrega isso sem fazer suspense.