Em todas as opções abaixo há diferentes tipos de raciocínio; o texto que exemplifica o tipo de raciocínio por analogia, é:
- A)No governo republicano, é da natureza da constituição que os juízes devem seguir a letra da lei;
Errada, porque traz uma afirmação normativa sobre juízes e lei, sem comparação entre situações parecidas.
- B)Se as eleições indicam um vencedor, é natural que as pessoas passem a atribuir a esse vencedor responsabilidades pelos sonhos que almejam;
Errada, porque desenvolve uma relação de consequência e expectativa social, não um argumento por semelhança.
- C)Os animais não possuem as vantagens que temos, mas possuem outras: eles não têm nossas esperanças, mas não possuem nossos temores; eles sofrem, como nós, a morte, mas sem a conhecer;
Errada, porque o texto usa contraste entre o que os animais têm e o que não têm, ou seja, oposição, não analogia.
- D)Nos estados tirânicos, a natureza do governo requer uma obediência extrema; e, uma vez conhecida a vontade do líder, ela deve provocar efeito infalível, como o de uma bola que se choca contra a outra;
Certa, porque compara o efeito da vontade do líder ao choque entre bolas, construindo o raciocínio por analogia.
- E)Não há liberdade se o poder de julgar não está separado do poder legislativo e executivo. Se ele estivesse unido ao poder legislativo, o poder sobre a vida dos cidadãos seria arbitrário porque o juiz seria legislador.
Errada, porque apresenta uma relação condicional e causal entre a separação dos poderes e a liberdade, sem analogia.
Gabarito: D
A questão pede identificar o raciocínio por analogia, isto é, quando o autor explica uma ideia comparando-a com outra de modo semelhante, para iluminar o sentido. Em vez de provar por regra, causa ou oposição, ele faz uma ponte entre duas situações parecidas. É aquele recurso clássico de dizer: "isso funciona como aquilo". Na alternativa D, isso fica bem claro. Depois de afirmar que, nos estados tirânicos, a obediência deve ser extrema, o texto compara o efeito da vontade do líder ao choque de uma bola contra outra. A imagem não serve só para enfeitar: ela transmite a ideia de reação inevitável, quase automática, como se a decisão do líder produzisse um resultado imediato e infalível. Isso é analogia em estado puro. As demais alternativas seguem outros raciocínios. Há frases de explicação normativa, de relação causal, de contraste e de condição. Ou seja, a banca mistura vários tipos de encadeamento lógico para ver se você reconhece a forma do pensamento, não apenas o conteúdo. Em provas da FGV, vale ficar atento porque ela gosta de cobrar a estrutura argumentativa do texto. Aqui, o segredo está na comparação figurada: o raciocínio avança por semelhança entre a ação do poder tirânico e o movimento físico de uma bola. Essa é a pista que entrega o gabarito.