Se reescrevermos as frases abaixo, eliminando a palavra porque, a forma INADEQUADA dessa reescritura, será:
- A)O jogador foi expulso porque assim decidiram os juízes / por decisão dos juízes;
Correta, porque "por decisão dos juízes" mantém exatamente a ideia de causa expressa por "porque assim decidiram os juízes".
- B)Entreguei-lhe a encomenda porque confiava nele / em confiança;
Correta, porque "em confiança" preserva o motivo de ter entregue a encomenda, sem alterar o sentido original.
- C)Causou um acidente porque a estrada molhada fez derraparem os pneus / por derrapagem dos pneus na estrada molhada;
Correta, porque "por derrapagem dos pneus na estrada molhada" reproduz a causa do acidente de forma equivalente.
- D)Não fez a redação porque o tema era muito complexo / pela complexão do tema;
Errada, porque "complexão" não significa "complexidade"; a reescrita altera o sentido e não mantém a causa original.
- E)O juiz sentou-se longe dos demais passageiros, porque temia a reação do público / por medo da reação do público.
Correta, porque "por medo da reação do público" conserva a ideia de temor que justificou o afastamento do juiz.
Gabarito: D
A questão trabalha reescrita com valor causal: a banca pede que você troque a oração introduzida por "porque" por uma expressão equivalente, sem mudar o sentido. Em provas da FGV, isso costuma aparecer como teste de vocabulário e de precisão semântica: não basta a expressão parecer bonita, ela precisa manter a mesma ideia. Nas alternativas, as reescrituras corretas são as que preservam a relação de causa sem forçar o sentido. Por exemplo, "por decisão dos juízes", "em confiança", "por derrapagem dos pneus" e "por medo da reação do público" mantêm a ideia original com naturalidade. A frase continua dizendo o motivo da ação anterior. Já a letra D escorrega feio porque "complexão" não significa "complexidade". "Complexão" é palavra ligada a constituição física, porte corporal, temperamento, e não à dificuldade ou sofisticação de um tema. Portanto, "pela complexão do tema" não corresponde a "porque o tema era muito complexo". Em outras palavras, o erro não é só de estilo: é de sentido mesmo. Se você troca uma causa por uma palavra que aponta para outra ideia, a reescrita deixa de ser equivalente. É o tipo de armadilha clássica de banca: parece uma troca próxima, mas semanticamente virou outra história.