Observe a seguinte frase: “O Flamengo é, atualmente, o melhor time do Brasil, pois nenhum outro time consegue igualar-se a ele”. Considerando a frase como argumentativa, o problema de sua estruturação é que
- A)estabelece uma relação que confunde causa e efeito.
Errada, porque não há relação de causa e efeito confundida; há repetição de sentido entre a tese e a suposta justificativa.
- B)apresenta um argumento autoritário, apoiado na palavra do enunciador.
Errada, porque a frase não se apoia apenas na autoridade de quem fala, mas em uma tentativa de justificativa textual.
- C)afirma a mesma coisa nos dois segmentos que compõem a frase.
Certa, porque os dois segmentos exprimem a mesma ideia com palavras diferentes, sem acréscimo real de argumento.
- D)mostra uma afirmação sem provas de sua veracidade.
Errada, porque a questão não aponta falta de provas em geral, e sim um problema de redundância na estrutura argumentativa.
- E)se apoia em uma falsa analogia.
Errada, porque não há comparação indevida entre coisas diferentes; há apenas reformulação da mesma afirmação.
Gabarito: C
A questão cobra coerência argumentativa: uma frase bem montada precisa fazer o leitor perceber avanço de ideia, e não repetição disfarçada. Aqui, o enunciado diz que o Flamengo é o melhor time do Brasil e, logo em seguida, “prova” isso com a ideia de que nenhum outro time consegue igualar-se a ele. Perceba o truque: dizer que é o melhor e dizer que ninguém o iguala acabam afirmando a mesma coisa, só com palavras diferentes. Ou seja, o problema não é falta de opinião nem falta de tom forte. O problema é que o segundo trecho não traz um argumento novo, apenas repete a conclusão anterior com outra formulação. Em prova, isso costuma aparecer como circularidade ou redundância argumentativa: a frase tenta se justificar, mas gira em torno dela mesma. Por isso o gabarito é a letra C. A estrutura fica assim: tese = “é o melhor time do Brasil”; justificativa = “ninguém consegue igualar-se a ele”. Só que a justificativa não sustenta a tese com um dado externo, uma comparação objetiva ou um fato diferente. Ela apenas reformula a mesma ideia. É como dizer: “Ele é ótimo, porque é muito bom”. Funciona no entusiasmo, mas não no argumento. Em Português de concurso, especialmente com pegada FGV, vale ficar atento a esse tipo de repetição sem progresso informativo. A banca gosta de testar se você percebe quando o texto parece argumentar, mas na verdade só roda em círculo.