Um escritor russo disse o seguinte: “Dizem que não há justiça sobre a terra. Mas por acaso existe no céu?” Nesse pequeno texto argumentativo, o argumento utilizado para rebater a primeira afirmação é falacioso, caracterizando-se como um(a):
- A)falsa analogia;
Errada: não há comparação relevante entre dois elementos equivalentes, então não se trata de falsa analogia.
- B)fuga do assunto;
Certa: a resposta desvia do ponto central e troca o tema da justiça na terra por uma pergunta sobre o céu.
- C)confusão causa/efeito;
Errada: não há tentativa de dizer que uma coisa causa a outra; o problema é de desvio temático, não de causalidade.
- D)argumento autoritário;
Errada: não se apoia a conclusão em autoridade de alguém, mas em uma mudança de assunto.
- E)generalização excessiva.
Errada: não há generalização a partir de poucos casos; a falha argumentativa é ignorar a tese inicial e fugir do tema.
Gabarito: B
A questão trata de falácias, isto é, raciocínios que parecem convencer, mas desviam da lógica do argumento. Aqui, a frase inicial diz: "não há justiça sobre a terra". Em vez de enfrentar essa ideia com um argumento sobre a realidade da justiça no mundo, o enunciado responde com uma pergunta sobre o céu: "Mas por acaso existe no céu?". Repare que o foco muda de assunto, como quem foge pela tangente quando a conversa aperta. Isso caracteriza fuga do assunto, também chamada de desvio do tema ou red herring em algumas abordagens. A resposta não rebate a afirmação original de modo pertinente; apenas desloca a discussão para outro plano, que não resolve a questão proposta. Por isso, o gabarito é B. O problema não está em faltar emoção ou ironia, mas em não enfrentar o ponto central da fala anterior. Em prova de concurso, quando a réplica sai do tema principal e leva a conversa para outro lugar, a banca costuma chamar isso de fuga do assunto.