Um antigo ministro brasileiro declarou certa vez: “O grande mal do Brasil tem sido o crime sem castigo. O que reduz a criminalidade é a certeza da punição”. Nessa frase, a locução “sem castigo” pode ser adequadamente substituída por “impune”; a frase abaixo em que uma substituição de uma locução por um adjetivo foi feita de forma adequada é:
- A)O melhor equipamento de segurança já inventado foi um espelho retrovisor com um carro de polícia refletido nele / seguro;
Errada, porque “seguro” não equivale a “com um carro de polícia refletido nele”; a ideia de proteção não é a mesma da locução.
- B)Cadeia é castigo e não colônia de férias / festiva;
Errada, porque “festiva” não corresponde a “colônia de férias”; a expressão original indica lazer, não festa.
- C)Não é permitido fazer em nome de outro o que não podemos fazer em nosso nome / alheio;
Certa, porque “alheio” substitui corretamente a locução “em nome de outro”, mantendo o sentido de pertencente a outra pessoa.
- D)Um diamante é um pedaço de carvão que se saiu bem sob pressão / carbonizado;
Errada, porque “carbonizado” significa queimado, e não “que se saiu bem sob pressão”; a troca distorce o sentido.
- E)A noite é a mãe dos pensamentos / pensativa.
Errada, porque “pensativa” não é equivalente a “dos pensamentos”; a locução expressa origem/geração de pensamentos, não estado de quem pensa.
Gabarito: C
Em questões de morfologia, a banca gosta de testar se você reconhece uma locução e sabe trocá-la por um adjetivo de sentido equivalente. A ideia é simples: a locução funciona como um conjunto de palavras com valor de uma classe gramatical, e às vezes esse conjunto pode ser resumido por um adjetivo único. Na frase-base, “sem castigo” equivale a “impune”, porque ambas transmitem a ideia de algo que não recebeu punição. É esse tipo de equivalência semântica que a questão quer cobrar: trocar a construção longa por uma palavra só, sem mudar o sentido. Na alternativa C, “em nome de outro” foi bem substituído por “alheio”. “Alheio” significa de outrem, de outra pessoa, pertencente a outro, exatamente a noção expressa pela locução. Fica natural e correto: o que não podemos fazer em nosso nome também não devemos fazer em nome alheio. As demais alternativas falham porque o adjetivo escolhido não reproduz o mesmo sentido da locução. A banca da FGV adora esse detalhe: não basta o adjetivo ser “parecido”, ele precisa ser semanticamente equivalente. Se a troca muda a ideia, a alternativa cai.