Assinale a frase verbal abaixo que foi nominalizada de forma inadequada.
- A)Felicidade é jogar cartas com a vovó / Felicidade é um jogo de cartas com a vovó.
Certa, porque “jogar cartas” foi adequadamente convertido em “um jogo de cartas”, preservando o sentido.
- B)A única alegria do mundo é começar um trabalho / A única alegria do mundo é o começo de um trabalho.
Certa, porque “começar” foi bem nominalizado para “o começo”, sem perda relevante de sentido.
- C)Abençoado aquele que faz com que meus companheiros riam / Abençoado aquele que provoca a risada de meus companheiros.
Certa, porque “faz com que meus companheiros riam” foi bem convertido em “provoca a risada de meus companheiros”.
- D)Esperar a felicidade já é sentir-se feliz / A espera da felicidade já é a sensação da felicidade.
Certa, porque “esperar” virou “a espera” e a ideia principal foi mantida de modo natural.
- E)A felicidade consiste em continuar desejando o que se possui / A consistência da felicidade é continuar desejando o que se possui.
Errada, porque “consiste em” foi trocado indevidamente por “consistência”, alterando o sentido da frase.
Gabarito: E
Nominalizar uma frase verbal é transformar a ideia de ação em uma estrutura com nome, isto é, trocar o foco do verbo por um substantivo ou expressão nominal. Em prova, isso costuma aparecer como um exercício de reescrita: você mantém o sentido principal, mas passa a frase para uma forma mais “coisa” do que “ação”. O segredo é ver se a nominalização preserva o núcleo de sentido. Em português, isso pode ser feito com substantivos abstratos, como “começo”, “espera”, “risada”, “alegria”, desde que a relação entre as palavras continue natural e sem mudar a ideia original. Na alternativa E, a reescrita ficou inadequada porque “a consistência da felicidade” não corresponde ao sentido de “a felicidade consiste em...”. Aqui houve troca indevida do verbo “consiste” por “consistência”, que muda completamente o valor semântico: uma coisa é a felicidade consistir em algo, outra bem diferente é falar na consistência da felicidade. Ou seja, a forma nominal não conserva a ideia original. As demais alternativas mantêm a noção central da frase original com nominalização aceitável. A FGV gosta exatamente desse tipo de cobrança: não basta ver se apareceu um substantivo; é preciso checar se a frase continuou fiel ao sentido. Em termos práticos, nominalizar não é “enfeitar” a frase, é só mudar a roupa dela sem trocar a pessoa.