Se os cadetes não querem fazer exercícios após as aulas, não há nada que o comandante possa fazer, pois, afinal, você pode levar o camelo até a água, mas não pode obrigá-lo a beber. O erro de raciocínio desse texto argumentativo é
- A)um círculo vicioso
Errada, porque não há um raciocínio que volte ao ponto de partida; o problema central não é de circularidade.
- B)uma simplificação exagerada.
Errada, porque o texto não reduz um problema complexo de forma simplista, mas sim compara duas situações de modo inadequado.
- C)uma falsa analogia.
Certa, pois o argumento usa uma comparação entre realidades diferentes como se fossem equivalentes, o que caracteriza falsa analogia.
- D)uma generalização excessiva.
Errada, porque o texto não tira uma conclusão geral a partir de poucos casos; ele erra na comparação, não na generalização.
- E)uma confusão entre causa e efeito.
Errada, porque não há inversão entre causa e consequência; o defeito está na analogia usada para justificar a conclusão.
Gabarito: C
O texto usa uma imagem conhecida para tentar “provar” uma ideia sobre os cadetes. O problema é que a comparação parece bonita, mas não sustenta o raciocínio: levar um animal até a água não é a mesma coisa que convencer pessoas a fazer exercícios. Ou seja, o argumento troca uma situação por outra que não tem a mesma lógica interna. Isso é o que chamamos de falsa analogia: parece parecido, mas não é comparável do ponto de vista relevante. Na interpretação de texto, a banca costuma cobrar se a relação usada no argumento realmente serve para concluir aquilo que o autor quer defender. Aqui, o comandante não está lidando com um camelo, mas com pessoas, disciplina, rotina e autoridade institucional. A semelhança é só superficial, e é justamente aí que mora o erro. Por isso, o gabarito é C. A comparação funciona como figura de linguagem, mas fracassa como argumento. Em vez de demonstrar logicamente a conclusão, ela apela para uma analogia que não se sustenta. Em termos práticos: a frase é espirituosa, mas não é prova. Em concursos, a FGV adora esse tipo de armadilha: a resposta parece sofisticada, mas o candidato precisa perguntar “as duas situações são realmente equivalentes para concluir isso?”. Se a resposta for não, há falsa analogia.