Todas as frases abaixo são iniciadas por um termo preposicionado; a forma adequada de reescrever uma dessas frases, eliminando a preposição e mantendo o sentido original, é:
- A)Neste livro, há um capítulo sobre esse assunto / Este livro contém um capítulo sobre esse assunto;
Certa: a reformulação mantém o sentido de existência de um capítulo no livro, sem distorcer a ideia original.
- B)No preço do hotel, está compreendido o café da manhã / O preço do hotel cobra o café da manhã;
Errada: "cobrar" não reproduz o sentido de conteúdo/abrangência do preço, então a reescrita fica sem sentido adequado.
- C)Para este rio afluem as águas de todo o vale / Este rio deságua as águas de todo o vale;
Errada: "deságua" não significa "afluem" e altera completamente a relação entre rio e águas do vale.
- D)No interesse de todos, as eleições devem acontecer / O interesse de todos evita a realização das eleições;
Errada: a frase troca uma expressão de circunstância por uma causa inventada, mudando o sentido original.
- E)Pela letra se nota que o aluno escreveu apressadamente / A letra anota a escrita apressada do aluno.
Errada: "anota" não equivale a "se nota" e transforma observação em ação, gerando mudança semântica indevida.
Gabarito: A
A questão cobra reescrita com manutenção de sentido, especialmente a relação entre preposição e valor semântico da expressão inicial. Em Português, nem toda frase que começa com termo preposicionado pode ser convertida por simples troca de palavras: é preciso preservar a ideia original, sem inventar sujeito, ação ou causa que não existiam. Aqui, a chave é perceber qual alternativa traz uma reformulação equivalente, limpa e natural. Na alternativa A, "Neste livro, há um capítulo sobre esse assunto" significa o mesmo que "Este livro contém um capítulo sobre esse assunto". O primeiro enunciado usa "há" com sentido de existência/presença, e o segundo troca isso por um verbo de conteúdo, mantendo a informação essencial: o livro possui um capítulo sobre o tema. A preposição inicial foi eliminada sem alteração de sentido relevante. Já nas demais alternativas, a reescrita força sentidos estranhos ou incorretos. Em prova da FGV, isso é muito comum: ela costuma testar se você entende o valor da construção, e não só se consegue "trocar palavras". A boa reescrita precisa ser equivalente semanticamente e gramaticalmente natural. Em termos normativos, o ponto aqui é compatibilidade semântica e sintática na paráfrase, algo que a gramática tradicional trata ao explicar regência, predicação e valor das locuções. Em resumo: a alternativa correta é a que conserva a relação original entre as ideias, sem criar um verbo impróprio ou mudar a função da frase.