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Português · FGV · 2022

Questão comentada de Português

Um jornalista, ao analisar o texto de um parlamentar que prometera apoiar a medida proposta por um outro parlamentar, criticou-o, escrevendo que “o congressista explicara em mal português que ‘daria apoiamento à proposição do colega’”. Em função do exposto, aplica-se perfeitamente ao jornalista o seguinte ditado latino:

Gabarito: B

A questão trabalha com interpretação irônica: o jornalista criticou um trecho em que o parlamentar prometeu apoio usando uma forma de linguagem considerada ruim ou rebuscada demais, ou seja, ele apontou defeito justamente em algo que também podia ser visto como um uso legítimo da língua. A ideia central é a de alguém que censura o outro, mas não está livre de falha parecida. Em provas, esse tipo de enunciado costuma testar mais a leitura fina do que o latim em si. O ditado que se encaixa aqui é Medice, cura te ipsum, expressão que significa, em resumo, "médico, cure a si mesmo". O sentido é claro: antes de corrigir o erro alheio, a pessoa deve olhar para os próprios defeitos. No caso, o jornalista critica o "mal português" do parlamentar, mas a frase sugere que ele também poderia estar exagerando, sendo pedante ou cometendo seu próprio deslize de julgamento. Não há fundamento legal aqui, porque o tema é linguístico e interpretativo, não jurídico. O ponto importante é reconhecer o valor moral e retórico do provérbio: ele aponta hipocrisia, incoerência ou falta de autocrítica. Em linguagem de prova, é a clássica cobrança de coerência antes da censura. Por isso, a alternativa B é correta: ela traduz exatamente a ideia de alguém que deveria aplicar a crítica a si mesmo antes de apontá-la no outro. As demais opções falam de uso e abuso, indiferença à crítica, amizade e gosto pessoal, mas nenhuma expressa essa noção de autocrítica e censura a si próprio.

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