Na frase “Ópera é quando um sujeito recebe uma facada nas costas e, em vez de sangrar, canta” há um tom cômico. A estratégia para produzir humor, nesse caso, é a de
- A)utilizar recursos cômicos da própria linguagem, fazendo um jogo de palavras.
Errada, porque não há jogo de palavras nem exploração de ambiguidade linguística; o humor vem da situação absurda, não da escolha vocabular.
- B)copiar em deboche a fala de alguém ou o que poderia ser dito sobre um tema qualquer.
Errada, pois não se trata de imitação debochada da fala de alguém, mas de uma construção baseada no nonsense da frase.
- C)propor decorrências de uma ausência de lógica e de seu caráter imprevisível.
Certa, porque o humor nasce da quebra da lógica e da surpresa causada por uma reação completamente improvável.
- D)evidenciar aspectos ridículos de um acontecimento por meio de apelo ao exagero.
Errada, já que o exagero não é o principal mecanismo aqui; o efeito cômico depende mais da incompatibilidade entre as ações.
- E)denunciar o implícito de uma ação inaceitável, fazendo do riso uma força destruidora.
Errada, porque a frase não denuncia uma ação inaceitável nem trabalha com riso crítico ou destruidor, mas com absurdo e imprevisibilidade.
Gabarito: C
A frase cria humor porque junta dois planos que não combinam: uma situação violenta e grave, e uma reação totalmente inesperada, cantar em vez de sangrar. Esse choque de expectativa é o que gera o efeito cômico. Você espera um desfecho lógico, mas recebe uma resposta absurda, e justamente aí mora a graça. Na interpretação de texto, a banca costuma chamar atenção para o mecanismo do humor, e não só para o assunto da frase. Aqui não há jogo de palavras, nem imitação de fala, nem exagero puro. O ponto central é a quebra da lógica: algo que, no mundo real, seria incompatível aparece como se fosse normal. Por isso, o gabarito é a letra C. A estratégia é propor decorrências de uma ausência de lógica e do seu caráter imprevisível, isto é, explorar o absurdo e a surpresa como fonte de humor. Essa é uma leitura bem típica em questões da FGV, que gosta de testar se você identifica o efeito de sentido produzido pelo enunciado. Em resumo: a graça não está em como a frase soa, mas no fato de que ela contraria completamente o esperado. Quando a realidade é torcida desse jeito, o riso aparece como resposta ao inesperado.