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Português · FGV · 2022

Questão comentada de Português

Observe o seguinte fragmento de um diálogo, retirado do romance O Cortiço, de Aluísio Azevedo: “Um rapazito de paletó entrou da rua e foi perguntar à Machona pela Nhá Rita. — A Rita Baiana? Sei cá! Faz amanhã oito dias que ela arribou! A Leocádia explicou logo que a mulata estava com certeza de pândega com o Firmo. — Que Firmo? interrogou Augusta. — Aquele cabravasco que se metia às vezes aí com ela. Diz que é torneiro. — Ela mudou-se? perguntou o pequeno. — Não, disse a Machona; o quarto está fechado, mas a mulata tem coisas lá. Você o que queria? — Vinha buscar uma roupa que está com ela. — Não sei, filho, pergunta na venda ao João Romão, que talvez te possa dizer alguma coisa.” O diálogo nesse fragmento serve para

Gabarito: C

Neste item, a banca quer saber para que o diálogo foi usado dentro da narrativa. Em literatura, o diálogo não serve apenas para “dar voz” às personagens: ele também pode funcionar como instrumento de exposição indireta de informações, isto é, o leitor descobre dados sobre quem fala, sobre terceiros e sobre o ambiente por meio da conversa. No fragmento de O Cortiço, ninguém faz uma descrição formal da Rita Baiana ou de Firmo. Mesmo assim, pelas falas das personagens, você percebe que Rita sumiu, que talvez esteja com Firmo, que o rapaz procura uma roupa e que a situação do grupo é meio confusa e informal. Tudo isso vai sendo montado aos poucos, como quem junta peças de um quebra-cabeça. Esse é justamente o efeito do diálogo aqui: informar sem explicar de modo direto. Por isso, o gabarito é a letra C. O trecho mostra informações sobre ações e personagens de forma indireta, pela conversa entre as personagens, e não por narração expositiva. É um recurso muito comum em romances realistas e naturalistas, como O Cortiço, que gostam de revelar os personagens pelo que dizem, pelo jeito de falar e pelas relações que mantêm. Se você quiser uma regra prática para a prova, pense assim: se o diálogo “entrega” pistas sobre a história, ele está cumprindo função de caracterização e informação indireta. A FGV adora esse tipo de leitura fina do texto, em que você não procura só o que foi dito, mas o que o dito revela.

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