A frase abaixo em que o emprego do gerúndio mostra adequação, é:
- A)Seu pai ficou doente na terça, morrendo no domingo;
Errada: "morrendo no domingo" passa uma ideia temporal e causal mal encaixada, soando artificial para a norma culta.
- B)Caiu um raio na mata, incendiando muitas árvores;
Errada: o gerúndio sugere consequência, mas a relação entre cair o raio e incendiar árvores fica pouco natural e mal construída.
- C)Dormiu um pouco, levantando-se depois;
Errada: "levantando-se depois" não cria uma simultaneidade clara com "dormiu um pouco" e fica com encaixe fraco.
- D)Entrou na sala, deitando-se logo no sofá;
Errada: "deitando-se logo no sofá" não tem relação lógica elegante com "entrou na sala", ficando deslocado.
- E)Subiu as escadas cantando sambas.
Certa: "cantando sambas" expressa ação simultânea e natural ao ato de subir as escadas, com uso adequado do gerúndio.
Gabarito: E
O gerúndio pode funcionar muito bem para indicar uma ação concomitante, isto é, que acontece ao mesmo tempo que a ação principal do verbo da oração. Nesses casos, ele dá ideia de continuidade, de modo ou de simultaneidade, sem parecer um enfeite mal colocado. Em provas, a banca gosta de testar justamente quando o gerúndio está natural e quando ele vira um "gerundismo" ou uma construção sem lógica. Aqui, o uso adequado aparece quando a segunda ação realmente acompanha a primeira, sem criar estranheza temporal. Isso acontece em "Subiu as escadas cantando sambas": a pessoa sobe e, ao mesmo tempo, canta. Há coerência entre as ações e o gerúndio entra com valor de simultaneidade, o que é perfeitamente correto. Já nas outras frases, o gerúndio fica esquisito porque sugere uma consequência ou uma ação posterior que não combina bem com o contexto. Em linguagem normativa, o gerúndio deve ser usado com valor circunstancial claro, especialmente de modo, tempo ou simultaneidade, e não para empilhar ações de forma artificial. Por isso, a alternativa correta é a que mantém essa relação natural entre os verbos.