Observe o seguinte diálogo: — Em que é que você trabalha? — Não, eu sou casada. A única opção que não pode ser compreendida desse diálogo é que a mulher
- A)não está trabalhando.
Pode ser inferido que ela não está trabalhando, já que a resposta foge da pergunta sobre ocupação e sugere outra condição social.
- B)não está à procura de emprego.
Também é compatível com o diálogo, pois nada indica que ela esteja buscando emprego; a resposta apenas desloca o foco para o estado civil.
- C)possui a visão de que mulher casada não trabalha fora.
É possível interpretar que a fala revela uma visão tradicional de que mulher casada não trabalha fora, embora isso seja uma inferência implícita, não explícita.
- D)mostra a divisão de trabalho entre homem e mulher.
Pode haver indício de uma divisão tradicional de papéis entre homem e mulher, mas isso é apenas uma leitura possível do subtexto.
- E)reclama da dupla jornada de trabalho, causa de não trabalhar.
Não pode ser concluída do diálogo, porque não há qualquer indicação de que a mulher trabalhe fora e reclame de dupla jornada.
Gabarito: E
A questão explora interpretação de implícitos: você não deve ler apenas o que foi dito, mas o que o diálogo permite inferir. Quando a mulher responde "Não, eu sou casada", ela desvia da pergunta sobre trabalho e sugere uma resposta socialmente irônica ou tradicional, como se o casamento bastasse para explicar sua condição. Isso permite concluir que ela pode não estar trabalhando, não estar procurando emprego, ou até refletir uma visão tradicional sobre o papel da mulher casada. O ponto central é que o enunciado não autoriza uma reclamação sobre sobrecarga de trabalho. Para dizer que ela reclama da dupla jornada, seria preciso haver marca textual de que ela trabalha dentro e fora de casa e queixa-se disso. Como isso não aparece, essa leitura fica sem base no texto. Em prova da FGV, cuidado: a banca adora alternativas que parecem psicológicas ou sociológicas, mas exigem uma dedução a mais do que o diálogo entrega. Interpretação boa é a que respeita o texto e seus implícitos, sem inventar uma história completa. Aqui, o gabarito é a letra E porque a ideia de dupla jornada não pode ser extraída do diálogo.